Boa noite dos avançados Silva deixa Portugal lançado na Liga das Nações

Seleção nacional bateu a Polónia por 3-2 com uma primeira parte de luxo. No segundo tempo, depois dos polacos marcarem o segundo, Portugal ainda tremeu. Mas acabou o jogo por cima. Apuramento para a final four pode acontecer já este domingo

Portugal venceu esta quinta-feira a Polónia, por 3-2, e deixou bem encaminhadas as contas no Grupo 3 da Liga das Nações, somando seis pontos em dois jogos (no primeiro bateu a Itália) e ocupando o primeiro lugar. Mesmo sem Ronaldo, na primeira parte assistiu-se a uma das melhores exibições da seleção dos últimos tempos, uma equipa consistente, que jogou de forma inteligente, e que soube dar a volta à desvantagem em que se viu aos 18 minutos. Isto numa noite em que brilharam os três Silvas do ataque - André marcou o primeiro golo, Rafa foi decisivo no segundo e Bernardo apontou o terceiro.

Num dia em que Fernando Santos cumpriu quatro anos ao serviço da seleção nacional (a estreia foi a 11 de outubro de 20014, com uma derrota num particular com a França), a grande surpresa no onze foi a inclusão de Rafa Silva, que tinha sido chamado de recurso para o lugar do lesionado Gonçalo Guedes. E que boa exibição fez o extremo benfiquista, num jogo em que três jogadores do Benfica (além de Rafa, Rúben Dias e Pizzi) foram titulares, algo raro nos últimos anos na seleção nacional.

As duas seleções entraram bem no jogo, sem receios, impondo velocidade e construíndo lances perto das respetivas áreas. Cancelo deixou um primeiro aviso logo aos 4', numa arrancada pelo lado direito que o guarda-redes Fabianski resolveu sem grandes problemas.

O jogo estava partido e podia dar golo para qualquer um dos lados. Na equipa nacional destacavam-se Rafa Silva, mais encostado ao lado esquerdo do ataque, e João Cancelo, na ala direita. Na Polónia era evidente a intenção de colocar a bola em Lewandovki, avançado do Bayern Munique que cumpriu neste jogo a sua 100.ª internacionalização.

E o primeiro golo foi da... Polónia. Aos 18 minutos, na cobrança de um canto, Piatek, que esta época leva nove golos marcados pelo Génova, surgiu a cabecear junto ao poste, num lance em que Rui Patrício não se fez à bola porque pareceu estorvado por Lewandowski.

A resposta de Portugal ao golo dos polacos foi simplesmente soberba. E no espaço de 11 minutos, a equipa nacional deu a volta ao marcador.

Primeiro aos 32', por André Silva (o 14.º golo pela seleção em 29 partidas), que surgiu sozinho na área a dar o melhor seguimento a uma assistência de Pizzi. E depois na sequência de um autogolo de Glik, após um passe magnífico de Rúben Neves, que isolou Rafa Silva - quando o extremo do Benfica se preparava para marcar, o central polaco, na tentativa de cortar a bola, colocou-a na própria baliza. Estava consumada a reviravolta e o resultado premiava a grande atuação da equipa portuguesa na primeira parte.

Polacos reagem, mas Portugal acaba o jogo em cima

Quase no início da segunda parte, aos 51', Fernando Santos torceu o nariz quando Zielinski rematou à vontade de longe e a bola passou muito perto da baliza de Rui Patrício. Mas o lance foi imediatamente esquecido, pois no minuto logo a seguir, Bernardo Silva fugiu a vários adversários e rematou de fora da área para o 3-1, com um grande golo. Estava quase concretizada a profecia dos três Silvas do ataque de Portugal, pois André marcou o primeiro golo, Rafa foi decisivo no segundo e Bernardo apontou o terceiro.

A Polónia parecia rendida ao maior poderio da seleção portuguesa. E aos 64', o selecionador fez uma dupla substituição, lançando no jogo Blaszczykowski e Grosicki, com a intenção de conseguir alterar o rumo dos acontecimentos. Fruto destas alterações, a seleção polaca melhorou. Além de conseguir construir lances perto da área portuguesa, dificultava as saídas de Portugal para o ataque.

No banco, Santos apercebeu-se deste domínio do adversário. E aos 75' lançou Renato Sanches no jogo (saiu Pizzi), numa tentativa de dar mais consistência ao meio campo português e apostar nas transições do jogador do Bayern para o ataque. Uma substituição que coincidiu com um lance muito perigoso dos polacos, que iam reduzindo por Bednarek, aos 75'.

A pressão da Polónia deu frutos aos 77 minutos, quando Blaszczykowski, o sobrinho do selecionador que tinha entrado na segunda parte, marcou num remate cruzado, depois de Pepe não ter aliviado da melhor maneira uma bola na área. Mas na verdade, o golo não deveria ter sido validado, pois antes do centro de Bereszynski a bola tinha saído pela linha lateral - é o problema desta Liga das Nações não ter vídeo-árbitro.

Portugal, que tinha deslumbrado na primeira parte e tinha entrado muito bem até ao golo de Bernardo Silva no segundo tempo, tremia perante a vontade dos polacos em dar a volta ao jogo. Depois de um período de algum sobressalto, a equipa nacional voltou a ter domínio do jogo. E aos 85', Renato Sanches esteve muito perto de matar a partida, mas depois de fintar o guarda-redes Fabianski, o remate foi cortado por Kedziora. O jogador do Bayern, quase em cima dos 90', teve de novo o golo nos pés, mas o guarda-redes polaco respondeu com uma grande defesa.

A última oportunidade de Portugal surgiu na compensação, com o recém-entrado Bruno Fernandes a rematar por cima após uma boa jogada de Renato Sanches. Ficou a ideia de que Fernando Santos deveria ter mexido na equipa um pouco mais cedo, pois como se viu, com a entrada de Renato para o meio-campo (e depois de Danilo), Portugal voltou a equilibrar o jogo e a ter mesmo as melhores oportunidades.

Portugal fica assim bem encaminhado para se apurar para a final four da Liga das Nações, o que pode acontecer já este domingo se Itália e Polónia empatarem.

A FIGURA DO JOGO

Bernardo Silva

Foi a noite dos três Silva que jogaram no ataque de Portugal. André marcou o primeiro golo, Rafa foi decisivo no segundo e Bernardo marcou o terceiro num grande lance individual. Numa boa exibição em termos globais de quase toda a seleção, sobretudo na primeira parte, o nosso destaque vai para Bernardo Silva, que subiu de produção ao longo do jogo e culminou a sua exibição com um grande golo, quando à entrada da área foi fugindo aos defesas adversários e rematou colocado para o terceiro de Portugal. O jogador do Manchester City foi ainda importante na construção de lances de ataque e soube ter discernimento na hora de maior aperto dos polacos na segunda parte.

FICHA DO JOGO

Jogo no Estádio Slaski, em Chorzow, Polónia.

Polónia: Fabianski, Bereszynski (Kedziora, 46'), Glick, Bednarek, Jedrzejczyk, Krychowiak, Klich (Blaszczykowski, 64'), Zielinski, Kurzawa (Grosicki, 64'), Piatek e Lewandowski.

Selecionador: Jerzy Brzeczek.

Portugal: Rui Patrício, João Cancelo, Pepe, Rúben Dias, Mário Rui, Rúben Neves, William Carvalho, Pizzi (Renato Sanches, 75'), Rafa (Danilo, 85'), Bernardo Silva (Bruno Fernandes, 90'+1) e André Silva.

Selecionador: Fernando Santos.

Marcadores: 1-0: Piatek, 18'; 1-1: André Silva, 31'; 1-2; Glik, 43' (própria baliza); 1-3, Bernardo Silva, 52'; 2-3, Blaszczykowski, 77'.

Árbitro: Carlos del Cerro (Espanha).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para André Silva (37), Mateusz Klich (48), Grzegorz Krychowiak (62), William Carvalho (67), Pepe (74) e Mário Rui (78).

Assistência: 48.783 espetadores.

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