Quem é o homem que anda a investir milhões no desporto inglês?

Dono da empresa de produtos químicos Ineos já investiu na vela, prepara-se para comprar a Team Sky e quer juntar-lhe o Chelsea

Com uma fortuna avaliada em 24 mil milhões de euros, Sir Jim Ratcliffe é considerado o homem mais rico do Reino Unido. Aos 66 anos, pode tornar-se também o personagem mais influente no desporto britânico, se concretizar os planos de aquisição de duas das mais importantes equipas inglesas: a Team Sky, no ciclismo, e o Chelsea, no futebol.

Dono da empresa de produtos químicos Ineos, a maior empresa privada britânica - que em 2018 deu lucros de mais de dois mil milhões de euros (antes de impostos), segundo a BBC -, Jim Ratcliffe cresceu num bairro social de Manchester, formou-se em química na Universidade de Birmingham e tirou um MBA na London Business School. Teve o primeiro emprego na petrolífera Esso, antes de passar para o grupo financeiro Advent International, e em 1998 fundou então a Ineos, cujo crescimento nas últimas duas décadas fizeram dele o homem mais rico de Inglaterra.

Nos últimos tempos, o nome de Jim Ratcliffe tem sido frequentemente associado a duas das principais equipas do desporto inglês. Fã do desporto, natureza e aventura, o milionário britânico, que tem residência fiscal no Mónaco, já investiu no ano passado mais de 120 milhões de euros na equipa de vela de Ben Ainslie que pretende conquistar a America's Cup em 2021 - e que passou a ter o nome de Ineos Team GB.

Agora, segundo informações dos media britânicos, está prestes a completar a aquisição da Team Sky, a mais bem sucedida equipa do ciclismo mundial dos últimos anos, que passará também a ter o nome da empresa de Ratcliffe: Team Ineos. Mas o objetivo mais ambicioso é outro: o Chelsea de Roman Abramovich.

Apesar de ter crescido como fã do Manchester United, Jim Ratcliffe tem um lugar anual em Stamford Bridge e é presença regular nos jogos caseiros do Chelsea, ele que tem uma casa perto do estádio do clube londrino. O interesse em comprar o Chelsea já vem do ano passado, quando surgiram notícias sobre a disponibilidade do milionário russo Roman Abramovich em vender o clube.

Segundo alguns media britânicos, Ratcliffe terá feito uma oferta de cerca de dois mil milhões de euros pelos blues no verão passado, mas essa terá sido recusada por Abramovich, que publicamente, através de fontes oficiais do clube, tem sempre negado o interesse em vender o Chelsea - apesar de não ser visto por Stamford Bridge nos últimos tempos, ter problemas com a renovação do visto de residência devido às tensões diplomáticas entre Rússia e Reino Unido e de ter mandado parar os planos de renovação do estádio.

Ratcliffe, que admitiu ao jornal Telegraph ser "um apaixonado de longa data" pelo futebol, já tem um clube de futebol no seu portfolio: o FC Lausanne, da Suíça. Mas o Chelsea continua a ser o seu grande objetivo, apesar da resistência de Abramovich.

Para já, enquanto não consegue adicionar o clube londrino ao seu império, Jim Ratcliffe prepara-se para oficializar o investimento que permitirá salvar a mais poderosa equipa de ciclismo atual. Depois de a cadeia de televisão Sky ter anunciado que iria deixar de patrocinar a equipa liderada por Dave Brailsford - na sequência de vários casos polémicos relacionados com suspeitas de doping que afetaram a reputação da Team Sky -, o futuro da formação que ganhou seis das últimas sete Voltas a França estava ameaçado.

O investimento do milionário Ratcliffe permitirá manter um orçamento anual de cerca de 40 milhões de euros e preservar estrelas como Geraint Thomas ou Chris Froome. Agora sob o nome de Team Ineos, uma marca que vai alargando a sua influência no desporto britânico.

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