Português vai cumprir 10 Ironman seguidos no desafio mais duro do mundo

É guarda da Marinha, tem 36 anos e é o único português nesta competição. Até agora, a maior prova que realizou foi um triplo Ironman.

Miguel Carneiro vai ser um dos dez desportistas no mundo a participar no Deca Ultra triatlo, o mais exigente do planeta, com 38 quilómetros de natação, 1800 de ciclismo e 422 de corrida consecutivos, no México.

"O principal desafio é mental, muito psicológico. Vai ser físico durante períodos, mas vai haver alturas em que o corpo nem quer correr, nem andar, nem nadar... nem fazer nada. Só quer descansar e fechar os olhos", conta, comentando os dez Ironman que vai cumprir de uma só vez.

Em declarações à Lusa, o polícia dos estabelecimentos da marinha, recorda quando, num triplo Iron Man, um amigo correu a seu lado com as mãos nas suas costas "pois estava de olhos fechados e a adormecer".

O triatleta, de 36 anos, é o único português em competição, num repto que vai decorrer num parque em León, com o segmento de natação a ser feito em piscina de 50 metros, o de ciclismo em circuito de 20 quilómetros e o de corrida em reta de um quilómetro.

"A cabeça vai querer ir para a cama descansar e passar lá uma semana e tenho de continuar a nadar, pedalar e correr. Vai ser um desafio muito grande, não sei quanto tempo vou demorar", reconhece.

A organização dá aos participantes 14 dias - "há limites de tempo para a natação e o ciclismo, mas não quero saber, pois não quero estar perto dele" -, sendo que no fim da primeira semana Miguel Carneiro espera ter a natação e o ciclismo cumpridos, "e provavelmente um bocado da corrida", se tudo for como espera.

O triplo Iron Man foi a maior empreitada que assumiu até hoje, competindo 51 horas nas quais se permitiu descansar somente dois períodos de meia hora: "Agora vai ser apenas três vezes e pouco mais exigente". "É mostrar a mim mesmo que quem consegue fazer uma coisa destas consegue fazer qualquer coisa no dia-a-dia. Sentimo-nos invencíveis, capazes de ultrapassar qualquer adversidade que apareça", argumentou, considerando que esse é o maior prémio que pode receber.

Miguel Carneiro, natural de Lagos, pratica desporto "desde sempre" e triatlo há dez anos, sendo que progressivamente vai assumindo missões atléticas cada vez mais complicadas: para uma como esta, reconhece que não há um plano específico. "Diariamente, treino uma, duas ou as três especialidades, mas a preparação física e mental é a que tenho feito ao longo de todos estes anos. Para quando chegar o dia, estar o mais bem preparado possível", esclareceu.

O atleta representa o Grupo Recreativo, Desportivo e Cultural do Ministério da Defesa Nacional e tem o apoio do Estado Maior General das Forças Armadas

A ajudá-lo na missão estará a sua mãe, responsável pela comida - "não vou poder parar para cozinhar e sentar-me à mesa, pois terei de comer enquanto pedalo ou corro" -, o amigo Luís, também atleta e especialista nas questões mecânicas, bem como a namorada, igualmente praticante de triatlo longo.

"Vão estar comigo 24 horas por dia, a meu lado. A tratar-me de tudo e de qualquer necessidade que tenha. (...) São fundamentais, mas a cabeça é que tem de conseguir comandar o corpo para fazer os quilómetros até à meta", concluiu.

Miguel Carneiro, que representa o Grupo Recreativo, Desportivo e Cultural do Ministério da Defesa Nacional e tem o apoio do Estado Maior General das Forças Armadas, parte para o México em 3 de outubro e o Deca Ultra Triatlo começa três dias volvidos, sendo que 20 é o dia limite para a sua conclusão.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.