Portugal vs. Itália. Quando Éder acabou com um jejum de quase 40 anos

As duas seleções medem forças esta segunda-feira na Liga das Nações. Historial é favorável aos italianos (18 vitórias em 25 jogos), mas no último jogo o herói do Europeu 2016 acabou com uma malapata

Portugal e Itália defrontam-se esta segunda-feira no Estádio da Luz (19.45) em partida a contar para a Liga das Nações. Será o primeiro jogo oficial da seleção comandada por Fernando Santos pós Mundial, diante de uma renovada Itália, agora comandada por Roberto Mancini, que surpreendentemente ficou de fora do último Campeonato do Mundo realizado na Rússia.

Historicamente, a Itália é um adversário difícil nos compromissos com Portugal. Basta olhar para o histórico de jogos entre as duas seleções e percebem-se rapidamente as dificuldades. Os dois países já mediram forças em 25 ocasiões (entre jogos oficiais e particulares) e o saldo é claramente a favor dos transalpinos: 18 vitórias, cinco empates e apenas cinco triunfos lusos.

Mas foi já com Fernando Santos como selecionador que a seleção nacional conseguiu quebrar um enguiço: a 16 de junho de 2015, num particular disputado em Genebra, na Suíça, Portugal bateu os italianos por 1-0, colocando termo a um jejum de 39 anos em que a equipa das quinas foi incapaz de ganhar um jogo à squadra azzurra. A curiosidade deste jogo é que o golo português foi da autoria de... Éder, que um ano mais tarde se converteria em herói nacional ao apontar o golo da vitória sobre a França que valeu a nossa seleção o título de campeã da Europa.

Sem Cristiano Ronaldo e com Beto na baliza, o avançado português marcou o golo aos 52 minutos, depois de uma assistência de trivela de Quaresma num lance que teve início numa arrancada espectacular de Eliseu. Estava desfeito o enguiço, pois o último triunfo diante dos italianos tinha sido em 1976, e de então para cá as duas seleções tinham-se defrontado 11 vezes. Na vitória obtida em dezembro de 1976, por 2-1, também num particular, os dois golos foram da autoria de Nené.

Em jogos oficiais (foram seis), a única vitória de Portugal aconteceu em 1957, na fase de apuramento para o Mundial. No Estádio Nacional, a seleção nacional venceu por 3-0, com golos da autoria de Vasques, António Teixeira e Matateu.

A partida desta segunda-feira marca a estreia de Portugal nesta nova competição da UEFA. Já os italianos, no jogo anterior, empataram a um golo com a Polónia.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.