Portimonense vence FC Porto (2-1)

Primeira derrota e primeiros golos sofridos pelo campeão nacional esta época. Bela exibição da sociedade algarvia Pires&Tabata bem como do jovem dragão André Pereira, candidato a ficar no plantel portista

Após vitórias concludentes nos primeiros testes da pré-época - Sp. Espinho (4-0), Varzim (8-0) e Académica (3-0) - o FC Porto sofreu nesta terça-feira a primeira derrota e os primeiros golos na temporada 2018/2019, diante do Portimonense (1-2), em Portimão, num particular integrado no estágio que os dragões estão a realizar em Lagos.

O campeão nacional alinhou de início com este onze: Casillas; João Pedro, Felipe, Chidozie e Alex Telles; Otávio, Sérgio Oliveira, Óliver Torres, Brahimi; Soares e Marega.

Já o Portimonense, esta época orientado por António Folha, ex-treinador do FC Porto B, começou com esta equipa: Ricardo Ferreira; Hackman, Jadson, Marcel, Rúben Fernandes; Pedro Sá, Dener, Manafá; Bruno Tabata, Pires e Nakajima.

Aos sete minutos já Soares tinha testado os reflexos de Ricardo. O mesmo Soares aos 21' atirou ao lado quando o mais fácil era marcar. A resposta algarvia surgiu por Manafá com Casillas a dizer presente.

Entre os 41 e os 43' o Portimonense marcou duas vezes. O primeiro pelo veterano Pires, de trivela, a pós passe de Tabata. O segundo pelo próprio Tabata, assistido... por Pires. Ou seja a sociedade Pires&Tabata a fazer a cabeça em água à defesa portista.

Ao intervalo Conceição fez entrar Aboubakar, André Pereira, Hernâni, Waris e Diogo Leite e a verdade é que aos 51' a decisão de Conceição ia sendo premiada pois o jovem André Pereira atirou ao poste. Não foi nessa altura, foi aos 82' aproveitando um centro à linha de Oleg Reabciuk, moldavo de 20 anos com formação feita em Portugal desde sempre. André Pereira, por seu turno, continua em destaque ao fazer o quinto golo em quatro jogos realizados nesta pré-época.

Mesmo nos instantes finais o espanhol Adrián López teve o empate nos pés mas Leonardo, com uma estupenda defesa, negou o empate.

Refira-se que no decorrer da segunda parte entraram ainda pelo FC Porto Vaná, Mikel Agu, Bruno Costa, Oleg Reabciuk, Saidy Janko, Ewerton, Adrián López e Paulinho.

Por seu turno, Folha viu durante os segundos 45 minutos os seguintes jogadores: Wellington, Felipe, Rafael Barbosa, Jean Felipe, Iago Oliveira, Leonardo, André, Koike.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.