Por que razão os jogadores russos recorreram ao amoníaco no Mundial?

A substância é usada em vários desportos de alta competição e não é considerada doping

O jornal alemão Bild levantou a suspeita nos últimos dias de que os jogadores russos teriam recorrido ao uso de doping antes da partida com a Espanha e sustentava a tese pela forma como os atletas surgiram à saída do túnel a coçar o nariz.

De pronto, o médico da seleção de leste, Eduard Bezuglov , veio desmistificar o caso, explicando que os atletas tinham inalado amoníaco antes da partida e que isso é uma prática comum no desporto em geral, não sendo considerado doping.

Mas afinal para que serve o amoníaco e porque é pratica corrente entre os atletas de vários desportos? Ao DN, Henrique Jones, antigo médico da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), explica que esta substância é inofensiva e serve apenas para estimular a "atenção do atleta".

"O amoníaco tem dois efeitos importantes: a sua inalação leva a um alerta cerebral através do estímulo da mucosa nasal, e também ao aumento da capacidade respiratória porque aumenta as trocas gasosas a nível do pulmão". O médico acrescenta que o "efeito é pouco duradouro, de livre utilização pelos atletas", não existindo qualquer estudo que o associe ao aumento da performance desportiva de alguma forma.

Henrique Jones assume ainda que o amoníaco nada tem que ver com doping e que é apenas uma das muitas substâncias que são utilizadas como "mecanismo de estimulação".

O atleta olímpico de taekwondo, Rui Bragança, refere ao DN que isto é algo que vê no seu dia-a-dia, não só na modalidade que pratica mas também em vários desportos de combate: "Vi ser utilizado no halterofilismo e na maioria dos desportos de combate como MMA e boxe. No taekwondo havia um atleta bielorrusso que o fazia abertamente".

Rui Bragança diz que nunca recorreu a tal por ser asmático e por isso lhe poder trazer problemas ao nível das vias respiratórias.

Para lá de ser utilizado no desporto, o amoníaco é uma substância presente no nosso dia-a-dia em fertilizantes, detergentes e produtos farmacêuticos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...