Pai de Emiliano Sala morre de ataque cardíaco três meses depois da morte do filho

O presidente da cidade onde Horacio residia diz que o homem nunca superou o que aconteceu com o seu filho.

Mais uma vez, a família do jogador de futebol argentino, Emiliano Sala enfrenta uma fase difícil. Três meses depois do acidente de avião que causou a morte do jogador, o seu pai, Horacio morreu na madrugada de sexta-feira, devido a um ataque cardíaco, na sua casa em Progreso na Argentina.

"2019 não desiste de nos maltratar", lamentou o presidente de Progreso, Julio Müller à Aire de Santa Fé. Embora os serviços de emergência tivessem socorrido rapidamente o homem de 58 anos, não havia nada a fazer. "Às cinco da manhã, a mulher do Horacio ligou-me para me dizer que ele não se estava a a sentir bem. Acordou a dizer que o peito lhe doía muito e ligou para as Emergências".

Müller vive perto de Horacio e chegou rapidamente à sua casa mas já não o encontrou com vida. "A ambulância, o médico e a enfermeira já estavam lá mas nada poderia ser feito", lamentou. O pai de Sala tinha historial de problemas cardíacos, mas encontrava-se bem nos últimos dias. Müller diz ter encontrado Horacio na manhã de quinta-feira e este parecer estar bem. No entanto, afirma que o "que aconteceu com o Emi é algo que o Horacio não conseguiu superar".

A 20 de janeiro, numa noite de mau tempo, o jogador Emiliano Sala seguia a bordo de um avião Piper Malibu, para se juntar à equipa de futebol Cardiff City, no Reino Unido, depois da sua venda ter sido fechada no dia anterior. Durante a viagem, o aparelho desapareceu dos radares enquanto sobrevoava o Canal da Mancha. 13 dias depois a esperança dos familiares, clube e fãs terminou quando o pior foi confirmado: a aeronave tinha sido encontrada e o corpo de Sala encontrava-se entre os escombros.

"Quando se encontrou o corpo pensava-se que se podia fechar este capítulo, mas imagino que todas as notícias que foram saindo sobre o piloto e sobre a alegada recusa do Cardiff em pagar a verba da transferência tenham sido muito complicadas de digerir", lamentou o presidente de Progreso.

O piloto David Ibbotson, cujo corpo ainda não foi encontrado foi chamado para pilotar à última hora, porque o colega David Henderson não estava disponível. Ibboston foi chamado, apesar de não saber pilotar este modelo de aviões e não ter a licença necessária para pilotar aeronaves com passageiros durante a noite devido a ser daltónico.

O estado da aeronave também foi posta em causa depois da morte de Sala. O departamento de investigação britânico de acidentes aéreos (AAIB) esclareceu no passado mês de fevereiro que o avião de 1984 não estava autorizado a operar voos comerciais.

Também as afirmações de um amigo de Sala, Maximiliano Duarte, que acusam o empresário Willie Mckay de ter obrigado Emi a entrar no avião num dia de mau tempo tem criado polémica. "Viajar de noite naquelas condições foi uma coisa totalmente obrigada. Há uma grande verdade em tudo isto, há um culpado. Porque o Emiliano nunca quis entrar naquele avião. As obrigações que tinha como jogador profissional fizeram-no aceitar as coisas", referiu Maximiliano.

O contrato entre o Cardiff City e o Nantes tem sido um dos pontos mais discutidos. O Cardiff City cumpriu com todas as formalidades para incorporar o jogador argentino na equipa por 19,7 milhões de euros, a transferência mais cara na história do clube. O clube comprometeu-se a pagar em três partes o valor acordado pelo jogador mas com a morte do jogador este acabou por não pagar o acordado ao Nantes.

O Nantes afirmou que não está disposto a perder o dinheiro da venda do argentino e denunciou a falta de pagamento do Cardiff à FIFA. Segundo a BBC, os executivos do clube farão o pagamento "quando tudo estiver claro", algo que Nantes, consideram uma técnica "hipócrita" para "ganhar tempo".