O 3.º lugar dos belgas: entre o que podia acontecer e o que aconteceu

Morrer na praia é o que mais custa. Mas, depois da desilusão, é possível ver que, no Mundial, não conta só o 1.º lugar. "Ninguém nos tira todas as alegrias que vivemos", diz Killian

E a Bélgica lá derrotou a Inglaterra, conquistando um lugar no pódio deste Mundial. Está cumprida mais uma etapa, a penúltima, deste campeonato. Só isso? "Não é só isso, mas basicamente, é isso", responde Jérémy Chastain, encolhendo os ombros. Não se pode pedir mais a quem poderia estar a disputar a final, mas acabou em 3.º lugar. É de uma vitória que se trata, mas falta qualquer coisa para parecer uma vitória. Não há copos de cerveja a voarem pelo ar, como é tradição, não há adeptos em tronco nu empoleirados nos ombros de outros adeptos e, pelo menos hoje, não haverá festejos, buzinadelas e very-lightsnas ruas de Bruxelas, Antuérpia ou Bruges.

Mas fique bem claro que a culpa não é da seleção belga: "Eles são fantásticos, jogaram um futebol maravilhoso e para nós serão sempre os nossos campeões", esclarece Jérémy. E é isso que custa. Vencer um a um cada obstáculo e, no fim, morrer na praia. No Terreiro do Paço, em Lisboa, os belgas estão desconsolados: "Ninguém gosta de prémios de consolação", explica Axiel De Smet. O mais difícil, tenta explicar o adepto, é libertarem-se daquele exato momento em que ficaram apurados para as meias-finais e começaram a sonhar acordados: "Quanto mais alto é o sonho, mais profundo é o desgosto."

Quando se chega tão longe como a seleção de Roberto Martinez e, depois, tão perto de levar o troféu para casa, não há muito a fazer. Fica-se congelado naquele limbo entre o que se poderia ter alcançado e que o sobrou. Será, provavelmente, cedo para vislumbrar o outro lado deste jogo. Pelo menos, para uma boa parte dos adeptos, ainda incrédulos com o 3.º lugar. Amanhã, quem sabe, o nevoeiro se dissipe e seja possível ver que a equipa belga fez história: "Nunca como agora estivemos tão entusiasmados com o desempenho da nossa equipa", conta Killian Gelens. E, isso, explica o adepto da cidade de Bruges, não é tão pouco assim: "As alegrias, os golos fabulosos, os nervos, a festa, ninguém nos tira tudo o que vivemos neste Mundial."

Em todas as derrotas, há pelo menos dois lados do mesmo jogo: o que poderia ter acontecido e o que acabou por acontecer. Esses dois lados, contudo, acabam quase sempre em um: "Tenho a certeza que todos os belgas vão fazer a festa quando a seleção chegar a casa." É o mínimo por uma equipa que "deu tanto" aos adeptos. É que, no Mundial, não conta apenas chegar em 1.º lugar. É também "o caminho que esta seleção fez e que nos encheu de orgulho", remata Killian.

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