Nani. Do bairro de má fama na Amadora até Alvalade

Extremo já tinha regressado a Alvalade em 2015, por empréstimo do Manchester United. Agora assinou por duas épocas e sem cláusula de rescisão

Aos 31 anos, Nani regressa a Alvalade: "É sempre bom voltar a casa, uma casa que bem conheço e onde me sinto muito bem. Estou muito feliz, digam o que disserem. Estou de corpo e alma aqui."

O jogador que subiu a pulso, chegou ao topo e agora procura um novo recomeço no clube que o lançou na ribalta, assinou contrato por duas épocas (até 2020). "Tinha outras opções, preferi o Sporting por uma questão de orgulho. Estou muito feliz. Falem, comentem, mas o que conta é aquilo que sinto", garantiu o campeão da Europa, que assinou a custo zero e sem cláusula de opção.

E para que não haja dúvidas, Alvalade é um sítio para Nani ser feliz e não uma escala para outro lado qualquer: "A minha vinda foi algo pessoal. Senti que era importante voltar a casa, sentir-me acarinhado pelas pessoas. Essas pessoas merecem, por tudo o que fiz e por tudo o que vou fazer. Estou de corpo e alma para ajudar o Sporting a conquistar os objetivos."

Nani por culpa da irmã

Nasceu Luís da Cunha em Cabo Verde, mas o mundo do futebol conhece-o por Nani. Culpa da irmã que tomava conta dele e que carinhosamente o chamava de Nani. Cresceu num bairro de má fama na Amadora, criado por uma tia e longe dos pais. Se a infância não foi um mar de rosas, a adolescência muito menos, mas agarrou-se ao futebol e foi com a bola nos pés que mudou de vida.

Chegou a ir treinar ao Sporting, ainda nos iniciados, mas não ficou e começou a jogar à bola no Real SC, em Massamá. O talento estava lá e já nos juvenis obrigou os leões a abrir os cordões à bolsa para o levarem. "Era um miúdo muito franzino. A determinada altura foi treinar ao Sporting, mas por causa dos transportes e de uma vida familiar atribulada acabou por não ficar. Depois, aos 17 anos, foi fazer um jogo à Academia pelo Real e mal o vi fiquei convencido de que tinha tudo para vir a ser um grande jogador", contou em tempos Aurélio Pereira ao DN.

Em Alvalade o rapaz tímido fez logo amizade com Yannick Djaló e Miguel Veloso, dois amigos para a vida. Foi na companhia deles que subiu à equipa principal com José Peseiro. Estreou-se em 2005 e, dois anos depois seguiu o caminho de Ronaldo e mudou-se para Manchester. Rendeu 25 milhões de euros aos cofres leoninos, ainda hoje uma das maiores vendas de sempre do clube de Alvalade.

Em Old Trafford o sucesso foi imediato. Ao lado de Ronaldo, venceu tudo, incluindo a Liga dos Campeões e a Premier League. Mas o peso da herança de CR7 acabou por afundar Nani, que nunca se conseguiu impor por completo depois do compatriota rumar ao Real Madrid. Os problemas físicos começaram a atormentá-lo e foi de empréstimo em empréstimo. Um deles ao Sporting (2015/16).

Depois mudou-se para Valência e o filme foi o mesmo. Agora voltou a casa para voltar a ser feliz desportivamente.

Campeão Europeu

Nani renasceu em pleno campeonato da Europa, em 2016. Quando muitos questionavam a sua chamada à seleção, o extremo respondeu em campo. Foi uma figura importante no torneio (fez três golos) que Portugal venceu e voltou a Valência para ser emprestado. Mudou de campeonato e foi jogar na Lazio, mas nem sempre foi titular e falhou o Mundial 2018.

Para a história ficam os 112 jogos com a camisola nacional. Nani é já o quarto jogador com mais jogos por Portugal, depois de CR7, Figo e João Moutinho.

Quando jogava no Real.

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