Mundial 2018: O que precisa de saber sobre os quartos de final

Uruguai - França, Brasil - Bélgica, Suécia - Inglaterra e Rússia - Croácia são os jogos da próxima etapa da competição, a disputar entre esta sexta-feira e sábado.

Entre 211 federações filiadas na FIFA, 32 conseguiram estar presentes na fase final, mas já só oito restam em prova: Uruguai, França, Brasil, Bélgica, Suécia, Inglaterra, Croácia e a anfitriã Rússia.

Face ao encadeamento dos quartos de final, só existe uma possibilidade de se repetir uma final de Mundiais, caso o Brasil e Suécia se encontrem no jogo decisivo, como aconteceu em 1958, com vitória para a canarinha de Pelé.

Uruguai (1930 e 1950), França (1998), Brasil (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) e Inglaterra (1966) buscam reeditar a conquista do troféu, enquanto Bélgica, Rússia e Croácia procuram uma inédita presença na final.

Uruguai - França: O cholismo uruguaio contra a vertigem gaulesa (sexta-feira, 15.00, Sport TV 1)

Carrascos de Portugal de Cristiano Ronaldo e da Argentina de Lionel Messi, muito distingue os estilos de Uruguai e França. Os sul-americanos primam pela consistência defensiva, tendo sofrido apenas um golo durante o torneio, enquanto os gauleses fazem do poder de fogo no ataque a principal arma, com Mbappé, Griezmann e Giroud à solta nos últimos 30 metros.

Porém, as duas seleções poderão apresentar algumas alterações estruturais no jogo dos quartos de final. O Uruguai tem Cavani em dúvida e, consequentemente, a dupla mortífera com Suárez em risco. França estará privada de Matuidi, um elemento fulcral no meio-campo para alicerçar a liberdade de que goza habitualmente o trio de ataque, e os possíveis substitutos - Tolisso ou Lemar - têm características muito diferentes.

O histórico entre celestes e les bleus é muito equilibrado, com ligeira vantagem para os uruguaios, que venceram dois dos sete confrontos - empataram quatro e perderam um -, e não sofreu golos nos últimos cinco.

Chave do jogo? O ataque do Uruguai mostrou diante de Portugal que apenas precisa de meia oportunidade para marcar, e é precisamente na hora de defender que a França tem sentido mais dificuldades, como se viu nas falhas de marcação que originaram os golos da Argentina na partida dos oitavos de final - resta é saber se Cavani vai mesmo a jogo. A vertigem ofensiva gaulesa vai ao encontro de um coeso bloco uruguaio, mas se há ataque capaz de ultrapassar essa barreira, é o francês.

Brasil - Bélgica: A melhor defesa contra o melhor ataque (sexta-feira, 19.00, RTP 1)

Frente a frente, vão estar as duas equipas mais rematadoras deste Campeonato do Mundo (77 remates cada): o Brasil que tem a melhor defesa da competição a par do Uruguai (apenas um golo sofrido) e a Bélgica que tem o ataque mais concretizador (12 marcados).

O escrete tem estado a subir de forma, assim como a grande estrela Neymar, e até vai poder voltar a contar com os já recuperados de lesão Danilo e Marcelo. Porém, estará desfalcado de Casemiro, elemento importante para assegurar o equilíbrio defensivo, e que deverá ser substituído por Fernandinho. Do lado belga, Roberto Martínez tem via verde para manter o onze, se assim o entender.

Em toda a história, canarinhos e diabos vermelhos defrontaram-se por quatro vezes, com histórico claramente favorável aos sul-americanos, que venceram três encontros. A Bélgica ganhou o primeiro, em 1963.

Chave do jogo? A Bélgica tem exibido grande dinâmica ofensiva, com homens como Hazard e Lukaku em evidência, mas tem, ao mesmo tempo, mostrado algumas lacunas nos aspetos defensivos, próprias de um 3x4x3 construído para conjugar todos os craques. Pela primeira vez na prova, a seleção europeia será verdadeiramente testada frente a um candidato ao título, o Brasil, que tem estado a melhorar de jogo para jogo - tal como a estrela Neymar - que e vai mostrando ser capaz de aliar criatividade no ataque a uma defesa de betão.

Suécia - Inglaterra: O cinismo nórdico diante da promissora armada inglesa (sábado, 15.00, Sport TV 1)

Depois de já se ter encontrado com Holanda, França, Itália e Alemanha pelo caminho (entre qualificação e fase final do Mundial), mas mesmo assim continuar viva no Campeonato do Mundo, a Suécia sonha em tombar mais um nome poderoso no futebol de seleções: a Inglaterra.

A renovada e promissora armada inglesa mostrou atributos durante a fase de grupos e é liderada pelo capitão e goleador Harry Kane, o melhor marcador deste Mundial, com seis golos - precisamente os mesmos de toda a seleção sueca, que tem o pior ataque entre as oito formações ainda em prova.

Este encontro poderá servir para desempatar o histórico de confrontos entre as duas seleções: em 23 jogos, houve sete vitórias para cada lado e nove empates - mas se excluirmos amigáveis, os suecos têm vantagem e até venceram o último duelo, em 2012, num jogo marcado por um grande golo de pontapé de bicicleta, ainda fora da área, de Zlatan Ibrahimovic. Certo é que, se o equilíbrio entre nórdicos e britânicos se refletir no embate de sábado e o vencedor se decidir apenas nos penáltis, os ingleses terão razões para estarem mais confiantes, depois de alcançarem o primeiro apuramento em desempates por grandes penalidades diante da Colômbia, nos oitavos, após três eliminações por essa via (1990, 1998 e 2006).

Chave do jogo? A Suécia é cínica, sente-se confortável sem bola e sabe tapar os caminhos para a sua baliza, algo que pode enervar Inglaterra, favorita mas simultaneamente já desabituada a estas andanças. A questão física também favorece os nórdicos, uma vez que os britânicos foram obrigados a 30 minutos suplementares e ao stress do desempate por penáltis nos oitavos de final, diante da Colômbia.

Rússia - Croácia: A certeza de um outsider nas meias-finais (sábado, 19.00, RTP 1)

Poucos se atreveriam a apostar que Rússia ou Croácia pudessem marcar presença nas meias-finais, mas essa vai ser mesmo uma realidade após o encontro de sábado, para o qual cada seleção tem dois jogadores em dúvida: Zhirkov e Samedov do lado russo, Strinic e Kovacic do croata.

A Croácia é uma das sensações deste Mundial, após ter vencido os três jogos da fase de grupos - incluindo o 3-0 à Argentina -, e tem exibido um futebol qualidade. Mas pela frente terá uma Rússia que, apesar de ter a pior defesa das equipas ainda em prova (cinco golos sofridos), tem vencido a desconfiança e conseguiu superar Espanha nos oitavos de final, através do desempate por grandes penalidades.

O histórico entre os dois conjuntos é curto. Contabilizam-se dois nulos em jogos oficiais, no apuramento para o Euro 2008, e uma vitória croata num amigável em 2015.

Chave do jogo? A Croácia, dotada de jogadores que alinham em alguns dos principais clubes europeus, tem mostrado muita qualidade, ao ponto de estar geração ser comparada com a que em 1998 alcançou o 3.º lugar no Mundial de França. Se o encontro fosse em qualquer outro país, seria favorita. Contudo, é na Rússia, mais precisamente em Sochi, que o jogo vai ter lugar. E a seleção russa tem conseguido superar-se e galvanizar-se com o fator casa, como comprovam as lideranças nos rankings de equipa com mais distância percorrida (477 quilómetros) e faltas cometidas (70) do torneio.

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João Gobern

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