José Maria Ricciardi é candidato às eleições do Sporting

Banqueiro avança para o ato eleitoral do dia 8 de setembro. É o nono candidato já conhecido.

José Maria Ricciardi, 63 anos, vai avançar para as eleições do Sporting do próximo dia 8 de setembro, confirmou o próprio ao DN. O banqueiro tem sido voz ativa no clube nos últimos anos e ainda recentemente, a propósito da eventual candidatura de Luís Figo, disse que o antigo jogador não tinha o perfil ideal para o cargo.

Nas últimas semanas, Ricciardi tinha dito que não iria apoiar qualquer das candidaturas já conhecidas e negou quaisquer ligações "a possíveis apoios" de Álvaro Sobrinho, o maior acionista individual do Sporting. Em declarações recentes SIC, o banqueiro tinha admitido essa possibilidade. "Não sei se serei, não é esse o meu projeto de vida, mas não vou dizer perentoriamente que não serei. Nessa altura irei tomar uma decisão, será pouco provável, mas não digo que não serei. Nunca quis ser candidato mas irei refletir. Tem de ser por paixão e não por obrigação", referiu.

Até este momento são já nove os candidatos às eleições de 8 de setembro: José Maria Ricciardi junta-se a Frederico Varandas, Pedro Madeira Rodrigues, Fernando Tavares Pereira, João Benedito, Zeferino Boal, Dias Ferreira, Carlos Vieira e Bruno de Carvalho.

O gestor era o líder e o rosto do negócio de banca de investimento do Grupo liderado por Ricardo Salgado e é um dos banqueiros considerados culpados, pelo Ministério Público, pela queda do BES. Ricciardi ficou na presidência do banco de investimento do BES quando aquele foi comprado pelo chinês Haitong em dezembro de 2014, seis meses depois da queda do BES. Saiu do Haitong em dezembro de 2016. Em fevereiro, com 63 anos, Ricciardi voltou à banca de investimento como sócio e acionista de uma boutique financeira, a Optimal Investments, de Jorge Tomé, ex-presidente do Banif.

Num almoço com o DN publicado neste sábado, Ricciardi falou dos "terríveis últimos tempos" vividos pelo clube fundado pelo seu tio-avô. Admitiu que agora as coisas estão mais bem encaminhadas, mas "se não fosse o presidente Sousa Cintra, as rescisões iam todas para a frente". Explica que não foi só o episódio de Alcochete, "a página mais negra da vida do Sporting", mas todos os factos que levaram os jogadores a invocar que não tinham condições de segurança para exercer a sua profissão. "E há hipótese de Bruno de Carvalho ser o autor moral, porque andou a espicaçar... Se ele não tivesse caído, a probabilidade de os jogadores não ganharem seria mínima; e se ganhassem, o Sporting não perdia só o valor dos jogadores, seria obrigado a pagar o valor dos contratos até ao fim da sua duração, o que pelas nossas contas seriam mais de 60 milhões de euros só em ordenados daqueles nove jogadores."

Atribuindo o regresso de Bas Dost e de Bruno Fernandes a um "milagre" de Sousa Cintra, disse ainda: "Enfim, as coisas estão melhores, porque se tudo continuasse como estava íamos para a insolvência, não tenho dúvidas disso."

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Anselmo Borges

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