Jonas marca durante o festival de faltas e o Benfica soma a terceira vitória pós-crise

Os encarnados não vacilaram e foram ao Estádio do Bonfim vencer o V. Setúbal por 1-0. A equipa de Rui Vitória mantém a distância para o líder e somou o terceiro jogo sem sofrer golos

O Benfica garantiu este sábado três preciosos pontos na visita ao Estádio do Bonfim. A equipa de Rui Vitória entrava em campo sob pressão depois de FC Porto e Sp. Braga terem vencido os seus jogos, mas acabou por não vacilar, tendo vencido por 1-0 graças a um golo de Jonas aos 17 minutos. Aliás, o brasileiro marca há quatro jogos consecutivos na Liga, revelando-se decisivo nesta fase de retoma após a crise gerada após a goleada em Munique.

Outra boa notícia para os adeptos benfiquistas prende-se com o facto de pela terceira partida seguida a equipa não sofrer golos (o melhor registo da época), o que não quer no entanto dizer que se registem melhorias significativas na organização defensiva dos encarnados.

Um festival de faltas

Uma falta a cada dois minutos. Assim fica definida a primeira parte do jogo no Bonfim, na qual Carlos Xistra apitou 23 vezes para mandar marcar um livre. Jogar assim é quase impossível, como é fácil de ver. Culpados? As duas equipas, pois claro, pois os jogadores estavam mais interessados em situações de conflito do que em jogar futebol; mas sobretudo o árbitro que se revelou incapaz de por um ponto final àquele festival, tendo contribuído ainda mais para o festival do apito, sancionando quase todas as quedas de jogadores.

As estatísticas ao intervalo também não mentem naquilo que diz respeito à produção de jogo. Houve mais Benfica, mesmo sem deslumbrar, muito longe disso. No entanto, a equipa de Rui Vitória foi a única a tentar construir jogadas com princípio, meio e fim, sendo que na primeira delas resultou um grande golo de Jonas, a concluir uma bela jogada na esquerda com cruzamento de Gedson; na outra Zivkovic rematou ao poste na sequência de um lance de envolvimento pela direita.

Do V. Setúbal assistiu-se apenas a alguns ensaios de contra-ataque que, ainda assim, mostraram algumas fragilidades defensivas do Benfica, que se desequilibrou várias vezes, sendo que numa delas foi Zivkovic e Jonas a impedirem o golo do empate a Hildeberto Pereira. A vantagem encarnada ao intervalo era justa e o desejo de quem gosta de ver futebol era que os jogadores e o árbitro serenassem durante o intervalo, pois uma segunda parte com tantas faltas tornaria o espetáculo um suplício...

Felizmente assim foi. Com os ânimos serenados, os jogadores preocuparam-se em jogar, apesar do constante desacerto de Carlos Xistra, com muitos erros de avaliação de faltas e até de lançamentos laterais.

Rafa Silva não "mata" o jogo

Lito Vidigal procurou dar mais critério no último passe à sua equipa para o segundo tempo, ao tirar Hildeberto Pereira para colocar em campo Rúben Micael. O resultado não foi o esperado, pois os sadinos perderam algum fulgor no ataque, o que permitiu ao Benfica controlar melhor o jogo, começando desde bem cedo a construir algumas jogadas perigosas em ataque planeado. A primeira delas, Rafa Silva recebeu um passe de Jonas com o peito, mas o chapéu a Cristiano saiu muito largo, pouco depois outra vez Rafa na cara do guarda-redes, após mais um passe de Jonas, contudo Cristiano fez uma grande defesa negando a tranquilidade aos encarnados.

A partir desse momento, o V. Setúbal acreditou que era possível tirar algo mais do jogo, embora de forma pouco esclarecida foram rondando a baliza do Benfica, que recuou demasiado as linhas e revelou um dos grandes pecados desta época: a incapacidade em conservar a posse de bola para gerir a vantagem no marcador.

Os sadinos foram conquistando alguns livre laterais, os nervos foram apoderando-se dos jogadores benfiquistas, sobretudo depois da entrada de Zequinha, que causou maior instabilidade no adversário e em cima dos 90 minutos, Jhonder Cadiz apareceu sozinho na área a cabecear para uma defesa de Vlachodimos, que assim garantiu a terceira vitória consecutiva aos encarnados, depois da goleada em Munique e da crise que quase afastou Rui Vitória do comando técnico.

A figura - Jonas

Um golo que valeu uma vitória obtido com um remate à ponta-de-lança que concluiu uma das melhores jogadas da partida. Mas a ação do número 10 do Benfica não merece destaque apenas pelo golo, pois somou sucessivos pormenores de classe, duas das quais assistências fantásticas Silva (uma delas com o peito) para Rafa Silva desperdiçar. A retoma do Benfica muito se deve à subida de forma do brasileiro que nos últimos oito jogos marcou seis golos.

FICHA DO JOGO

Estádio do Bonfim, em Setúbal
Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco)

V. Setúbal - Cristiano; Mano, Dankler Pedreira, Vasco Fernandes, Nuno Pinto (Zequinha, 77'); José Semedo (André Pedrosa, 66'), Mikel Agu; Éber Bessa, Hildeberto Pereira (Rúben Micael, 46'), Frédéric Mendy; Johnder Cadiz
Treinador: Lito Vidigal

Benfica - Vlachodimos; André Almeida, Ruben Dias, Jardel, Grimaldo; Pizzi (Gabriel, 73'), Fejsa, Gedson Fernandes; Zivkovic (Alfa Semedo, 90'+3), Jonas (Seferovic, 80'), Rafa Silva.
Treinador: Rui Vitória

Cartão amarelo a Cristiano (12'), Pizzi (16'), André Almeida (41'), Jonas (44'), Mano (44'), Nuno Pinto (73'), Gedson Fernandes (81')

Golo: 0-1, Jonas (17')

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