Sporting: Prazo para haver acusação termina esta semana

Justificação para o requerimento do Ministério Público para investigação ser prolongada está relacionada com a especial complexidade do processo que envolve, para já, 40 pessoas detidas (Bruno de Carvalho e Mustafá, líder da Juve Leo, foram os últimos neste domingo).

A investigação às circunstâncias do ataque à Academia do Sporting em Alcochete, ocorrido a 15 de maio, tem o prazo de quarta-feira como limite para haver uma acusação. E só poderia ser prolongado por seis meses conforme queria o Ministério Público se fosse concedida especial complexidade. No entanto, ao que o DN apurou, este requerimento do MP só terá dado entrada na quinta-feira passada, tendo os advogados dez dias para se pronunciar. Período que já ultrapassa a data limite para a acusação.

O prazo para deduzir a acusação aos 40 arguidos termina esta semana (os primeiros 23 foram detidos a 15 e conheceram as medidas de coação a 21 de maio). Era pretensão do MP ganhar tempo para a investigação que está agora a cargo da GNR, sob a supervisão do DIAP de Lisboa.

Segundo soube o DN, os primeiros 23 detidos - que estão no Estabelecimento Prisional do Montijo - receberam no final da semana passada notificações de que o Ministério Público tinha pedido a extensão do prazo.

A justificação para o requerimento do Ministério Público está relacionada com a especial complexidade do processo que envolve, para já, 40 pessoas detidas (Bruno de Carvalho e Mustafá, líder da Juve Leo, foram os últimos a ser detidos neste domingo). E que envolve a análise a muitas escutas telefónicas, mensagens que estavam em telemóveis e outros dados recolhidos pela investigação, a que se junta o resultado das apreensões feitas neste domingo na casa de Bruno de Carvalho (telemóvel, computador pessoal e o tablet da filha) e na sede da Juventude Leonina (20 gramas de cocaína, haxixe e até os bilhetes que a claque tinha para poder entrar no estádio e assistir ao jogo com o Desportivo de Chaves). Terá ainda de se juntar o material que terá sido apreendido em casa de Mustafá.

Neste momento há 38 pessoas em prisão preventiva devido a este processo e esta terça-feira será a vez do antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho e do líder da claque Juventude Leonina Mustafá serem presentes ao juiz de instrução criminal do Barreiro.

Depois de serem ouvidos conhecerão as medidas de coação, sendo que o Ministério Público também deverá pedir a prisão preventiva.

Ex-presidente indiciado por 56 crimes

Bruno de Carvalho está indiciado por 56 crimes: dois de dano com violência, 20 de sequestro, um de terrorismo, 12 de ofensa à integridade física, um de detenção de arma proibida e 20 de ameaça agravada. Além destes crimes também é suspeito de ser o mandante do ataque à Academia efetuado pelos elementos ligados à principal claque leonina.

No caso de Nuno Vieira Mendes (conhecido como Mustafá) será acrescentado o tráfico de droga, pois nas buscas efetuadas domingo na sede da Juve Leo foram encontradas 20 gramas de cocaína e haxixe. Os dois foram detidos na tarde de domingo e esta segunda-feira estiveram nos postos da GNR do Montijo (Mustafá) e de Alcochete (Bruno de Carvalho).

Em 15 de maio deste ano, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, treinadores e staff.

No dia dos acontecimentos, a GNR deteve 23 pessoas, tendo posteriormente efetuado mais detenções, estando atualmente em prisão preventiva 38 pessoas, entre as quais o antigo líder da Juventude Leonina Fernando Mendes.

Os 38 arguidos que aguardam julgamento em prisão preventiva são todos suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente, de terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Bruno de Carvalho, que à data dos acontecimentos liderava o clube, foi, entretanto, destituído em Assembleia-Geral e impedido de concorrer à presidência do clube, atualmente ocupada por Frederico Varandas.

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