Franceses a viver o sonho e croatas com os sonhos desfeitos

De um lado e do outro, acreditou-se até ao fim na vitória. O Terreiro do Paço, em Lisboa, transbordou com os adeptos croatas incrédulos e os franceses a fazerem a festa

Se mais um entrasse, só mais um, o relvado da Arena Portugal desmoronava como um baralho de bandeiras, camisolas e cachecóis croatas e franceses. É essa a sensação que dá ao olhar de relance para o Terreiro do Paço, em Lisboa, apinhado de adeptos, a suarem por um lugar minimamente decente que permitisse assistir à final do Mundial entre a Croácia e a França.

Boa parte deles, diga-se de passagem, já um bocado longe do seu juízo perfeito. Indo direto ao assunto, estão bêbados. Perdidos de bêbados. O que nem se pode censurar dado que, muitos como o adepto francês, Rodolfhe Jacquemet, chegaram com duas e três horas de antecedência e tiveram de se entreter com o que havia mão até ao início do jogo: "Vive la France! Nous sommes des champions!" Nem vale a pena insistir, nada mais de jeito se consegue arrancar deste francês embriagado de cerveja e eufórico com sua seleção.

Franceses e croatas montaram o circo na Praça do Comércio e, de um lado e do outro, ainda há quem julgue estar dentro de um sonho, daqueles que há muito não viviam ou, então, nunca viveram, conta Katarina Krešo: "É inacreditável, mas agora acredito que estamos muito perto de fazer história." Do outro lado do relvado da Arena Portugal, Isla Camille tem exatamente o mesmo feeling, mas com a seleção francesa a substituir a croata e a roubar o sonho de Katarina e dos muitos como elas.

A pouco menos de 10 minutos da segunda parte desta final, a diferença de golos fazia já adivinhar para que lado o sonho iria continuar. Mas, no Terreiro do Paço, ninguém deu o troféu por adquirido até ao último segundo: "Estamos quase lá, vamos conseguir", diz Charlotte Martin, agitando a bandeira da França. E a meia dúzia de passos dela, havia quem ainda não desse tudo por perdido: "Estamos a lutar e vamos lutar até ao fim", assegura Tomislav Blazevic. No meio deste impasse, teve de ser o apito final do árbitro a acabar com o sonho dos croatas e a deixar que fossem os franceses a viverem o sonho deste Mundial que esta tarde chegou ao fim.

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