FIFA assume controlo provisório da Federação Uruguaia

A FIFA assumiu o controlo da Federação Uruguaia até fevereiro de 2019, devido a irregularidades no processo eleitoral para a presidência daquele organismo sul-americano, e nomeou um comité de regularização.

A medida da FIFA, presidida por Gianni Infantino, tem "efeitos imediatos", segundo a carta endereçada pela instituição que tutela o futebol mundial à federação uruguaia, e explica que o "comité de regularização irá atuar como comissão eleitoral" através de decisões "firmes e vinculativas".

A acusação de incumprimento em relação aos requisitos de transparência surgiu no final de julho, quando foram descobertas gravações áudio que alegadamente comprometiam Wilmar Waldez, líder da federação e único candidato às eleições de 31 de julho, depois de superar o exame de idoneidade da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), ao contrário dos outros dois candidatos: Arturo del Campo e Eduardo Abulafia.

A polémica levou à renúncia de Wilmar Waldez do cargo a 30 de julho e à abertura de um inquérito por parte do Ministério Público do Uruguai. A presidência foi assumida provisoriamente por Edgar Welker, sendo que CONMEBOL e FIFA já acompanham a situação há quase um mês.

Contudo, os clubes uruguaios e Edgar Welker já vieram contestar esta intervenção da FIFA no órgão federativo do futebol do seu país e revelaram ter feito um pedido de explicações a Gianni Infantino. O presidente do Defensor Sporting, Daniel Jablonka, deu voz a esse protesto e disse à agência EFE que a medida da FIFA causou "grande estranheza".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Assunto poucochinho ou talvez não

Nos rankings das escolas que publicamos hoje há um número que chama especialmente a atenção: as raparigas são melhores do que os rapazes em 13 das 16 disciplinas avaliadas. Ou seja, não há nenhum problema com as raparigas. O que é um alívio - porque a avaliar pelo percurso de vida das mulheres portuguesas, poder-se-ia pensar que sim, elas têm um problema. Apenas 7% atingem lugares de topo, executivos. Apenas 12% estão em conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa - o número cresce para uns míseros 14% em empresas do PSI20. Apenas 7,5% das presidências de câmara são mulheres.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

Quando não podemos usar o argumento das trincheiras

A discussão pública das questões fraturantes (uso a expressão por comodidade; noutra oportunidade explicarei porque me parece equívoca) tende não só a ser apresentada como uma questão de progresso, como se de um lado estivesse o futuro e do outro o passado, mas também como uma questão de civilização, de ética, como se de um lado estivesse a razão e do outro a degenerescência, de tal forma que elas são analisadas quase em pacote, como se fosse inevitável ser a favor ou contra todas de uma vez. Nesse sentido, na discussão pública, elas aparecem como questões de fácil tomada de posição, por mais complexo que seja o assunto: em questões éticas, civilizacionais, quem pode ter dúvidas? Os termos dessa discussão vão ao ponto de se fazer juízos de valor sobre quem está do outro lado, ou sobre as pessoas com quem nos damos: como pode alguém dar-se com pessoas que não defendem aquilo, ou que estão contra isto? Isto vale para os dois lados e eu sou testemunha delas em várias ocasiões.