Benfica arrasador marca 10 golos na festa de Chalana (histórico 10) e fica com o líder a um ponto

A equipa de Bruno Lage destroçou o Nacional e alcançou a maior goleada do campeonato dos últimos 55 anos. Pizzi encheu o campo, Ferro estreou-se com um golo e Jonas voltou com um bis. E Chalana sorriu...

Demolidora. É esta a palavra que melhor define a exibição do Benfica este domingo frente ao Nacional, que terminou com uma goleada de 10-0. E isto num dia (10 de fevereiro) em que o Estádio da Luz festejou os 60 anos de um dos melhores número 10 da história do clube e do futebol português: Fernando Chalana.

Um resultado esmagador que, no campeonato, os adeptos do Benfica não viam desde o dia 2 de fevereiro de 1964, quando aplicou chapa 10 ao Seixal, numa tarde em que Eusébio fez seis golos. Aliás, desde essa tarde no velho Estádio da Luz que nenhuma equipa conseguiu um resultado tão volumoso.

Desta vez, os golos foram distribuídos pela equipa com Seferovic e Jonas bisarem, mas o final de tarde na Luz foi um hino ao futebol de ataque e àquela que é uma das bandeiras do presidente Luís Filipe Vieira, a aposta na formação. É que três jogadores produtos do Seixal marcaram, primeiro João Félix, depois Ferro que se estreou como titular na equipa principal e depois Rúben Dias. Além disso, o treinador Bruno Lage aproveitou para lançar Florentino Luís, outro produto das escolas encarnadas.

E para o dia ser perfeito para os benfiquistas, registou-se também o regresso de Jonas (o número 10 encarnado), que nos 17 minutos em que teve em campo fez... dois golos. Tudo isto numa jornada em que o Benfica ficou a apenas um ponto do líder FC Porto, isto depois de ter estado a sete pontos quando Bruno Lage rendeu Rui Vitória no comando técnico da equipa. Os encarnados deram um sinal claro de que estão prontos para a luta por aquilo que definiram de "reconquista" do título de campeão nacional, pelo que a luta nas 13 jornadas que faltam promete ser muito interessante.

Grimaldo marca aos 33 segundos

A história deste jogo invulgar começou logo aos 33 segundos, quando Seferovic lançou Grimaldo para o primeiro golo, o segundo mais rápido nos 16 anos de existência do novo Estádio da Luz. O Nacional não podia ter entrada mais desastrada no jogo. Se alguém pudesse imaginar que os encarnados iriam entrar em campo ansiosos para chegar à vitória para reduzir a distância para o líder, eis que não ouve tempo para esse tipo de sentimentos.

Os minutos que se seguiram foram de uma equipa de Bruno Lage a jogar da forma como tinha feito nos dois jogos com o Sporting. Uma pressão muito alta na tentativa de recuperar a bola o mais perto possível da baliza dos madeirenses, cujos jogadores pareciam paralisados e atordoados perante a velocidade dos encarnados. As sucessivas jogadas junto da baliza de Daniel Guimarães foram-se sucedendo e adivinhavam-se mais golos. E lá apareceu Seferovic aos 21 e aos 27 minutos a fixar o resultado com que se chegou ao intervalo.

É verdade que, a seguir ao terceiro golo, o Nacional, que tentava dentro do possível fazer o seu jogo, conseguiu libertar-se um pouco e criou duas boas situações para marcar na sequência de bolas paradas, mas Vlachodimos defendeu um cabeceamento de Júlio César e depois Witi Quembo desperdiçou em frente à baliza.

Pé no acelerador, golo de Ferro e bis de Jonas

Esperava-se que o Benfica abrandasse o ritmo do seu jogo na segunda parte, afinal vinha de dois dérbis intensos com o Sporting e na quinta-feira tem uma difícil deslocação à Turquia para defrontar o Galatasaray para a Liga Europa. Só que nada disso aconteceu. Impulsionados pela capacidade criativa de Pizzi e pelo fôlego de Gabriel a recuperar bolas e a lançar a equipa para a frente, os benfiquistas asfixiaram autenticamente o Nacional e o avolumar do resultado acabou por ser natural.

Na prática, os madeirenses estavam completamente fora do jogo e só o guarda-redes Daniel Guimarães ia adiando o desastre total que acabou por ser inevitável. João Félix fez o quarto golo, Pizzi conquistou um penálti e transformou-o, até que surgiu um dos grandes momentos da partida: canto de Pizzi e golo de Francisco Ferro, que se estreava a titular na equipa principal. A seguir Rúben Dias tornou-se no terceiro elemento da defesa a faturar.

Já com Florentino Luís, campeão da europa de sub17 e sub 19, e com Krovinovic em campo, Bruno Lage lançou depois Jonas, que regressava à competição mais de um mês depois. Bastaram 12 minutos em campo para o brasileiro assinar o ponto, seguindo-se depois uma jogada de rua entre Pizzi e Rafa Silva, que este último concluiu. Na última jogada da partida, Jonas recuperou uma bola, correu e voltou a deixar a sua marca.

No final da partida, a alegria dos benfiquistas contrastava com as lágrimas de desespero de alguns jogadores do Nacional, que levam um enorme rombo anímico numa jornada em que regressaram à zona de despromoção.

A Figura - Pizzi

Exibição fantástica do número 21 dos encarnados. É verdade que só marcou um golo, na transformação de um penálti por ele sofrido, mas foi responsável por quatro assistências para os companheiros marcarem. Já são 13 passes para golo só neste campeonato e oito golos. Mas Pizzi fez muito mais no jogo, tantos foram os lances que iniciou, fazendo uso da sua técnica apurada e visão de jogo. Com Bruno Lage ganhou outra dimensão e liberdade na equipa e quem beneficia com isso é o coletivo. Uma palavra também para o brasileiro Gabriel que foi incansável na forma como pressionou o portador da bola, como a recuperou e lançou o Benfica para o ataque.

VEJA O RESUMO DA PARTIDA

FICHA DO JOGO

Estádio da Luz, em Lisboa (54.810 espectadores)
Árbitro: Nuno Almeida (Algarve)
Benfica - Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo; Pizzi, Samaris (Florentino Luís, 51') , Gabriel, Rafa Silva; João Félix (Krovinovic, 68'), Seferovic (Jonas, 73')
Treinador: Bruno Lage

Nacional - Daniel Guimarães; Kalindi Souza, Júlio César, Rosic, Filipe Ferreira (Witi Quembo, 17'); Palocevic, Alhassan (Arabidze, 46'), Vítor Gonçalves; Sérgio Marakis (Brayan Riascos, 84'), Rashidov, João Camacho
Treinador: Costinha

Cartão amarelo a Samaris (20')

Golos: 1-0, Grimaldo (1'); 2-0, Seferovic (21'); 3-0, Seferovic (27'), 4-0, João Félix (50'); 5-0, Pizzi (54' gp), 6-0, Ferro (56'); 7-0 Ruben Dias (64'); 8-0, Jonas (85'); 9-0, Rafa Silva (88'); 10-0, Jonas (90')

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