Para Fernando Santos, não há discussão: The Best é Cristiano Ronaldo

O selecionador português revelou que votou em Cristiano Ronaldo para vencedor do prémio da FIFA, que elege o melhor jogador do ano, com Modric em segundo lugar

"A votação do The Best da FIFA não é minha. Eu já fiz a minha. Se for por mim, ganhou o Ronaldo. Se for pela minha votação, ganhou o Ronaldo. E em segundo lugar ficará o Modric, porque essa foi a minha votação. Agora o resto da votação é do público, dos jornalistas, dos outros treinadores, de muita gente", disse Fernando Santos, em conferência de imprensa realizada no Estádio Algarve.

O selecionador falava na antevisão do jogo particular com a Croácia, vice-campeã mundial, que se realiza na quinta-feira, às 19.45, no recinto algarvio. Elogiando o médio croata, que ganhou recentemente o prémio de melhor do ano para a UEFA, Santos defendeu no entanto que o prémio deveria ter sido entregue ao capitão português.

"Acho que o Modric é um jogador fantástico, por isso o nomeei como segundo neste prémio [da FIFA]. Mas nesta última votação [da UEFA] acho que o Cristiano Ronaldo devia ter sido o vencedor, por tudo o que fez ao longo da época e principalmente na Liga dos Campeões", acrescentou o técnico sobre a votação promovida pela UEFA que premiou o croata Modric.

Seleção sem Ronaldo

Questionado sobre se o jogo particular com os vice-campeões do mundo poderá demonstrar que a seleção também tem qualidade na ausência de Cristiano Ronaldo, que ficou fora da convocatória, Fernando Santos foi muito direto na resposta.

"A seleção nunca foi nem mais nem menos do que Cristiano Ronaldo. A seleção é a seleção com Cristiano Ronaldo, campeão da Europa e melhor jogador do mundo", afirmou, lembrando ainda os nomes de João Moutinho, Nani e André Gomes.

"Não vou dizer os nomes todos, porque faltam uns dez, mas são todos jogadores muito importantes nesta equipa. Deram um troféu fantástico a Portugal, marcaram a história do futebol português definitivamente. Não há com e sem. Ronaldo ainda vai estar apto durante muito tempo", finalizou.

A seleção portuguesa, campeã europeia, defronta a Croácia, vice-campeã mundial, na quinta-feira, às 19.45, no Estádio Algarve, num jogo particular, o primeiro desde o Mundial 2018, competição na qual Portugal somou uma vitória, uma derrota e dois empates.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.