Fernando Santos: "Nenhuma equipa pode ser melhor sem o melhor do Mundo"

Selecionador português gostou do resultado e da exibição da seleção frente à Polónia, esta quinta-feira (3-2).

"Não gostei de alguns momentos. Mas entrámos bem, tivemos boa circulação e tirámos a Polónia do jogo. No ataque insistimos muito pela direita, pelo Cancelo, e carregámos bem por aí. Pelo lado esquerdo tivemos mais dificuldades. O Rafa no início tentou segurar mais a bola, jogar mais, mas a partir do momento em que se soltou começou a dar profundidade com e sem bola. E dominámos o jogo", resumiu o selecionador.

Mas como já é habitual, houve alguns períodos do jogo que não agradaram ao técnico nacional: "Sofremos de canto, normalmente não sofremos. A Polónia defende bem e é perigosa no contra-ataque. Felizmente reagimos bem. Fizemos dois golos e pedi mais qualidade até ao 3-1. A partir daí houve algum deslumbramento, a tocar na bola mas sem dinâmica. Tivemos algum sufoco no final, mas as duas grandes oportunidades são nossas, pelo Renato e pelo Bruno. Ganhámos bem."

A abundância de opções deixa Fernando Santos descansado: "É bom que estes jogadores cresçam em jogos com pontos. Isso é importante. Tenho estes e lá fora mais dez, 15 ou 20."

"Ronaldo é sempre Ronaldo"

Portugal jogou sem Ronaldo e jogou bem, mas isso não quer dizer que o selecionador prefira não ter o capitão disponível. "Nenhuma equipa pode ser melhor sem o melhor do Mundo. Se estivesse aqui não estávamos a falar disso. Não vale a pena falar de quem não está. Esperava isto da equipa, tem confiança, assume o jogo com naturalidade. Ronaldo é sempre Ronaldo", disse o treinador nacional.

Mas é possível inserir Ronaldo nesta equipa sem perder capacidade de envolvimento? "Jogámos com dois extremos, Cristiano é mais avançado do lado esquerdo que aparece nas zonas de finalização e que nos dá mais capacidade de finalização. Quando ele vier temos de encontrar solução para ele ter os seus movimentos e um jogador para abrir à esquerda. William está muito bem. Vamos continuar com estas soluções por agora", respondeu Santos.

A finalizar, o selecionador deixou um recado aos críticos: "Portugal só tem um foco, ganhar. Os resultados em jogos oficiais mostram isso. Umas vezes assim, outras vezes de outra forma. Não se chega a campeão da Europa sem querer ganhar. Os jogos são diferentes, dependem de jogadores, de adversários. Umas vezes mais defensivo, outras mais ofensivo, mas a defender bem, porque senão não se ganha."

Bernardo: "Vamos ver o que dá o Polónia-Itália"

Rafa passou de não convocado a titular. "Estava preparado para tudo. Ser chamado ou não ser chamado. O Guedes teve um problema, infelizmente, e cá estou. A vitória foi boa. Entrámos bem, a ter bola, mas sofremos aquele golo. Depois reagimos muito bem", confessou o jogador do Benfica, confiante na passagem à final-four da prova.

Rúben Neves foi responsável pelo passe que acabou por dar o 2-1 a Portugal: " Fizemos um bom jogo. Tentámos controlar com posse porque sabemos que Polónia é muito forte no jogo aéreo, nos confrontos físicos e na transição, por isso tentámos colocar a bola no chão e saímos com os três pontos (...) O passe saiu muito bem e deu golo para a equipa portuguesa e isso é o mais importante."

Para Bernardo Silva, "a Polónia entrou forte", melhor que Portugal, mas depois a seleção equilibrou o jogo e acabou a dominar: "Fomos intensos e criámos perigo. Sobretudo até aos 70 minutos tivemos posse de bola e fomos superiores. A vitória foi importantíssima para o objetivo de ficar no primeiro lugar. Vamos ver o que dá o Polónia-Itália."

O jogador do City diz que agora é esperar e "torcer pelo empate" entre os outros dois adversários, o que daria logo o primeiro lugar no grupo 3 a Portugal.

André Silva voltou a marcar pela seleção, no triunfo sobre a Polónia, num jogo em que Portugal começou por estar em desvantagem. "Reviravolta? Foi fruto do nosso trabalho e qualidade dos nossos jogadores. Há muito tempo que demonstramos isso. Graças ao trabalho do mister que tem tentado que o nosso jogo flua. Tentámos virar o jogo e felizmente conseguimos", disse o avançado do Sevilha, falando ainda sobre o bom início de época: "Penso que não há um renascimento. Estou confiante e trabalho e as coisas acabam por sair. Graças aos meus companheiros que também me têm ajudado."

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