Otávio resolveu o quebra-cabeças que deixou o FC Porto isolado

Médio descobriu a cabeça de Soares aos 88 minutos e desbloqueou o intenso duelo com um Sp. Braga que, mesmo derrotado, conseguiu reforçar no Dragão a imagem de candidato

Não desiludiu a cimeira de líderes no Dragão. Era um jogo grande e foi um grande jogo, intenso, sempre esticado até às duas áreas, numa parada e resposta que se prolongou até aos bancos, às decisões dos dois técnicos ao longo da partida.

Saiu premiado Sérgio Conceição, que não descansou até encontrar a fórmula de conseguir vergar a oposição de um Sp. Braga que comprovou no relvado, ao longo dos 90 minutos, estofo de candidato - mesmo que tenha caído no fim perante um golpe perfeito idealizado pelo génio de Otávio e concretizado pela cabeça de Soares.

Tal como já tinha acontecido na jornada anterior, na Madeira, frente ao Marítimo, a entrada do médio brasileiro foi decisiva para desbloquear a vitória que permitiu ao FC Porto isolar-se na frente do campeonato e reforçar a sua melhor versão na temporada, com sete triunfos consecutivos.

Otávio entrou para o lugar de Maxi Pereira aos 63 minutos, na primeira aposta de Sérgio Conceição para tentar resolver um jogo que o Sp. Braga tornava cada vez mais complicado. Entrou para a direita de um 4x4x2, adaptou-se à esquerda de um 4x3x3 quando o técnico voltou a mexer na equipa, tirando Brahimi para reforçar a zona central do meio-campo com Herrera e voltou a adaptar-se a um novo 4x4x2 quando Hernâni substituiu Óliver, na última cartada de Conceição para tentar encontrar uma forma de se superiorizar aos bracarenses.

Foi aí, esgotadas as soluções, que Otávio encontrou a cabeça de Soares ao segundo poste, a dois minutos do fim, fazendo chegar lá a bola de forma perfeita, num cruzamento em arco desde a direita, depois de tirar um adversário da frente com um subtil toque de classe.

Otávio e Soares premiaram então a ambição de Sérgio Conceição, num castigo que o Sp. Braga, sublinhe-se, fez por não merecer ao longo de todo o jogo. A equipa de Abel Ferreira deixou no Dragão a capa de invencibilidade que trazia ainda vestida esta temporada (esta foi a primeira derrota, em todas as competições) e também não conseguiu, pela primeira vez, marcar qualquer golo. Mas saiu do relvado reforçado na sua imagem de potencial candidato ao título.

Se dúvidas havia em relação à verdade da tabela classificativa, FC Porto e Sp. Braga mostraram que são mesmo, nesta altura, as duas melhores equipas do campeonato. Personalizada na postura, sem táticas ultra-defensivas, procurando sempre sair a jogar com critério, a equipa minhota conseguiu apresentar sucessivos quebra-cabeças aos campeões nacionais ao longo da partida.

Óliver era bem controlado a meio-campo, a famosa profundidade do ataque portista condicionada com uma pressão eficaz sobre a bola e sobre as ações de Marega, as investidas de Maxi e Alex Telles vigiadas quase sempre com rigor. Tudo isso, sublinhe-se, sem deixar de olhar a baliza de Casillas e de esticar o jogo até à área portista sempre que possível. E foi possível várias vezes, com Ricardo Horta e Ricardo Esgaio a darem largura ao jogo e Fransérgio a pisar com classe a zona central.

Dyego Souza, a barra e... Tiago Sá

Faltou ao Sp. Braga, por exemplo, que Dyego Souza, o goleador do campeonato, mantivesse no Dragão a pontaria demonstrada até aqui. O brasileiro falhou duas belas ocasiões na área portista, uma em cada parte. Faltou também alguma sorte, em remates de Esgaio e de Fransérgio que acertaram com estrondo na barra da baliza de Casillas, numa segunda parte em que a equipa de Abel conseguia somar mais oportunidades claras de golo dos que os dragões até chegar o cabeceamento certeiro de Soares.

O FC Porto, que teve sempre mais domínio de bola, sentiu dificuldades para criar desequilíbrios na área bracarense, mas podia ter saído para o intervalo a ganhar quando, numa boa jogada de envolvimento coletivo, Marega deixou Brahimi na cara do golo, aos 38 minutos. Mas então aconteceu um dos mais belos momentos da noite, no Dragão, com uma defesa enorme do jovem Tiago Sá, que esta época se tem afirmado na baliza do Sp. Braga e foi buscar o remate de Brahimi com a luva direita (Casillas também já tinha contribuído para o nulo ao intervalo com um par de intervenções atentas, registe-se).

Inconformado, Sérgio Conceição não descansou de procurar soluções até ao fim para sair mais líder deste jogo. E a solução, nesta altura, chama-se Otávio. Foi ele a diferença num jogo que deixou o FC Porto isolado, mas do qual o Sp. Braga também pareceu sair reforçado.

Ficha de jogo

Jogo disputado no Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto - Sporting de Braga: 1-0.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores:

1-0, Tiquinho Soares, 88 minutos.

Equipas:

- FC Porto: Iker Casillas, Maxi Pereira (Otávio, 62), Éder Militão, Felipe, Alex Telles, Danilo Pereira, Óliver Torres (Hernâni, 83), Jesús Corona, Yacine Brahimi (Héctor Herrera, 72), Tiquinho Soares e Moussa Marega.

(Suplentes: Vaná, Chancel Mbemba, Héctor Herrera, Sérgio Oliveira, Otávio, Hernâni e André Pereira).

Treinador: Sérgio Conceição.

- Sporting de Braga: Tiago Sá, Marcelo Goiano (Fábio Martins, 90+1), Bruno Viana, Pablo Santos, Sequeira, Claudemir, Fransérgio, Ricardo Esgaio, Ricardo Horta (Wilson Eduardo, 82), Paulinho (João Palhinha, 79) e Dyego Sousa.

(Suplentes: Marafona, Raúl Silva, João Palhinha, João Novais, Eduardo, Fábio Martins e Wilson Eduardo).

Treinador: Abel Ferreira.

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Fransérgio (40) e Tiquinho Soares (56).

Assistência: 47.929 espetadores.

Figura

Otávio. Tal como já acontecera na Madeira, diante do Marítimo, na jornada anterior, o brasileiro foi absolutamente decisivo para a vitória portista frente ao Sp. Braga. Entrado aos 63 minutos para o lugar de Maxi Pereira, o brasileiro dinamizou a criatividade do ataque dos dragões e encontrou, de forma perfeita, a trajetória ideal no cruzamento que ofereceu a Soares a oportunidade de resolver o encontro, quando o 0-0 ameaçava já tornar-se definitivo.

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