Do arco da Rua Augusta viu-se a França ser campeã do mundo

Multidão no Terreiro do Paço extravasou, e muito, os limites do relvado da Arena Portugal durante a final entre os gauleses e a seleção croata. Mas o que importa é o ambiente.

Régine, Odile e Catherine, idades algures entre os 55 e os 60 anos, viajaram até Portugal do arquipélago da Maurícia, no oceano Índico, para cumprirem, com passagem por Lisboa, uma peregrinação a Fátima no dia a seguir, ditou o calendário, à final do Mundial 2018, na Rússia.

Não é, por isso, assim tão inesperado que, como turistas que são, tenham aproveitado a tarde deste domingo para assistir, no Terreiro do Paço, à partida decisiva entre a França e a Croácia. Bom, assistir talvez seja um exagero.

"Dá para ver um bocadinho", dizem, bem-dispostas, praticamente ao pé do Arco da Rua Augusta, no extremo oposto do local onde está instalado o ecrã gigante da Arena Portugal. A vista até poderia ser melhor se quem está à sua frente se sentasse, mas não é fácil.

Afinal, numa praça cheia e com o jogo de futebol a decorrer é difícil conter as emoções e não sair do mesmo lugar. Nada que as preocupe demasiado - apesar de ostentarem cachecóis alusivos à final do Mundial 2018, não têm preferência quanto à seleção campeã.

Gabriela e Maria José, angolanas de 37 e 32 anos, discordam. Em tudo. Não só dali se "vê melhor" do que "mais à frente", como têm claramente uma favorita - a França. "É mais ganhadora", justificam. E, ainda com o intervalo a decorrer e os gauleses a ganharem por 2-1, o que estão a achar do jogo que se disputa em Moscovo?

"Bem, nós não conseguimos ver, mas acho que a Croácia está a dominar", opina a mais velha. Afinal, a vista não é assim tão boa. Não é, por isso, assim tão estranho que, um pouco por todo o Terreiro do Paço, bem para lá do relvado da Arena a abarrotar sobretudo de franceses, se vejam adeptos mais ou menos vestidos a rigor em pé nos bancos das paragens de autocarro e das caixas de eletricidade que ali existem.

É, porém, sentadas no passeio que encontramos uma mãe e filha holandesas, que preferem não revelar o nome. "Vamos ver se conseguimos ver daqui, quando a segunda parte começar", adianta a mãe, antes de admitir que é pela Croácia que torcem, num Campeonato do Mundo em que a Holanda não esteve presente.

"Nunca ganharam nada... e a França eliminou a Bélgica, que era quem queríamos que ganhássemos", explicam. É então uma questão de vingança? "Sim, um bocadinho", reconhece, entre risos, entusiasmada sobretudo com a atmosfera que ali se vive.

"Só espero que no final, com o álcool, não acabe em confusão", desabafa. A avaliar pelo ambiente que se vivia cerca de meia hora depois de a França se sagrar campeã mundial com uma vitória por 4-2 sobre a Croácia não tem razões para se preocupar.

Ao ritmo ora do speaker ora da música que, estridente, salta das colunas de som da Arena Portugal, a festa francesa coexiste, tranquilamente, com os adeptos croatas que, em minoria, observam, entre mais outra selfie, a entrega das medalhas e o levantar da taça no Estádio Luzhniki. E quando Luka Modrić, médio da seleção balcânica, é agraciado com o prémio de melhor jogador do Mundial 2018, não há quem não aplauda. É assim a festa do futebol.

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