Dias Ferreira garante 150 milhões para construir dez academias em África

Candidato à presidência diz ter "a experiência e a capacidade" para liderar o Sporting.

Na sua sede de campanha, situada em Lisboa, um dos sete candidatos às eleições do dia 8 de setembro usou os membros da sua equipa para falar das medidas que pretendem implementar caso sejam eleitos.

"Portugal é demasiado pequeno para nós e obtivemos uma linha de crédito de 150 milhões de euros para a construção de dez escolas de formação em dez países africanos", começou por revelar o responsável pela área das academias José Silva, frisando ainda que os atletas que não conseguirem singrar num patamar alto terão um "fundo de pensões".

Outro membro da lista de Dias Ferreira, que ficará com o departamento financeiro, debruçou-se em explicar como será reduzido o passivo atual e sublinhou que pretende adquirir 90% da SAD leonina.

"Há um plano de restruturação em curso, que foi iniciada pela anterior direção, e bem. Nós queremos concluir esse plano e, quando estiver concluído, o Sporting terá números bastante apetecíveis. O passivo será menos de metade do que o de hoje e teremos os VMOC [valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis] comprados. O Sporting ficará dono de mais de 90% da SAD e vamos tentar comprar a totalidade das ações da SAD", explicou Ricardo Oliveira.

Na área do futebol estará Luís Natário, que destacou a aposta "sem medos e de uma vez por todas" em jogadores formados no clube.

"Queremos uma academia com todas as condições físicas e de ponta no domínio da tecnologia. Precisamos de lançar os atletas de uma vez por todas, não podemos ter medo. Não podemos gastar os nossos recursos quando temos cá dentro muito melhor e que já conhecem o nosso clube. Gastar dinheiro a contratar 20 ou 25 jogadores é um sinal de que a época passada falhou", lembrou.

Por fim, foi o candidato à presidência a dirigir-se à comunicação social para dizer que possui a "experiência e a capacidade" para reconduzir o Sporting ao êxito, sem esquecer os rivais FC Porto e Benfica.

"Os nossos rivais já estão com picardias como se nós não contássemos. Temos de estar atentos e fazer um trabalho muito sério. Tenho experiência e sinto-me com capacidade para liderar uma equipa. Não tenho nesta lista um amigo, tenho pessoas que são conhecidas pelo rigor", declarou.

De seguida, voltou-se para os dois candidatos mais jovens à presidência do Sporting, João Benedito e Frederico Varandas, ao defender que ainda reúnem as condições para assumir o cargo.

"Acho que é cedo [para Frederico Varandas e João Benedito], francamente. Não posso deixar que este Jumbo [avião] seja conduzido por um piloto que ainda esteja a tirar o brevet", justificou.

Concorrem à presidência do Sporting, além de Dias Ferreira, João Benedito e Frederico Varandas, outros quatro candidatos: José Maria Ricciardi, Pedro Madeira Rodrigues, Rui Jorge Rego e Fernando Tavares Pereira.

As eleições estão agendadas para 8 de setembro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.