Dez anos depois do ouro olímpico, Nelson Évora é um campeão renascido

Atleta treina esta terça-feira no Algarve, com o Presidente da República a assistir

Já lá vão dez anos desde que, a 21 de agosto de 2008, Nelson Évora "aterrou" a 17,67 metros na caixa de areia do Estádio Olímpico de Pequim e garantiu o quarto ouro olímpico da história de Portugal - o primeiro numa disciplina técnica, que não as corridas de fundo que tinham condecorado Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro.

Dez anos depois, Nelson Évora é um campeão renascido, que acaba de completar a coleção de títulos ao ar livre em grandes competições com o ouro nos recentes Europeus de atletismo, a 12 de agosto. Um campeão longevo cuja maior vitória terá sido até, mais do que qualquer salto, a de conseguir superar os limites que o seu próprio corpo lhe quis impor, quando uma série de graves lesões lhe colocaram em risco a carreira de sucessos "prometida" não só em Pequim2008 como um ano antes, em Osaka, quando saltou para o primeiro grande título, o mundial.

Nelson Évora definiu-se como "um artista". E um artista, disse, "tem sempre de se reinventar"

Évora superou tudo - fratura da tíbia, cirurgias várias, recaídas - e voltou aos pódios quando já pouca gente o esperaria. Em 2015, seis anos depois da última subida ao pódio numa grande competição (prata nos Mundiais de Berlim, em 2009), o campeão voltou a sorrir, com o título europeu de pista coberta, aos 31 anos. Daí para cá, somou mais quatro medalhas internacionais, entre pista coberta e ar livre, como o recente título europeu em Berlim, elevando para dez o número de medalhas nas mais importantes provas internacionais.

À chegada a Lisboa, na semana passada, Nelson Évora definiu-se como "um artista". E um artista, disse, "tem sempre de se reinventar".

Esta terça-feira, o campeão reinventado comemora o 10.º aniversário da conquista do seu título olímpico do triplo salto com um treino, no Algarve (11.00 horas, em Albufeira), que tem o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, como espetador especial.

"A Portuguesa" ainda não voltou a ser ouvida nos Jogos Olímpicos, mas o campeão de Pequim, atualmente com 34 anos, já avisou que tem o foco em Tóquio2020, onde quer regressar aos pódios na maior competição desportiva do planeta.

Palmarés de Nelson Évora

Jogos Olímpicos

Ouro, Pequim 2008

Mundiais

Ouro, Osaka 2007

Prata Berlim 2009

Bronze, Pequim 2015

Bronze, Londres 2017

Mundiais pista coberta

Bronze, Valência 2008

Bronze, Birmingham 2018

Europeus

Ouro, Berlim 2018

Europeus pista coberta

Ouro, Praga 2015

Ouro, Belgrado 2017

Universíadas

Ouro, Belgrado 2009

Ouro, Shenzen 2011

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.