Croata pela vitória, russa pela festa do futebol

Ao intervalo do jogo entre a Rússia e a Croácia o empate a um golo deixava tudo em aberto para o segundo tempo. Andro ansiava pela vitória da seleção dos Balcãs enquanto que a russa Janna desejava apenas assistir a um jogo bem disputado.

Andro Bagoje, californiano descendente de pai croata, estava otimista quanto ao desfecho do jogo: "Acho que a Croácia jogou melhor mas a Rússia foi lá à frente e marcou o seu golo com mérito. De qualquer das formas, acho que vamos ganhar e podemos ir até à final. Temos jogadores que competem nas melhores ligas europeias, são muito talentosos e formam uma boa equipa." De passagem por Portugal, antes de rumar à Croácia, Andro revelou estar apaixonado por Lisboa. "É um local maravilhoso, tinha curiosidade de visitar Portugal e parámos aqui por uns dias. Mas amanhã parto já para Dubrovnik, a cidade da família do meu pai, que teve de abandonar o seu país durante a guerra dos Balcãs, nos anos 90. Já não vou lá há cinco anos, as saudades já são muitas", confessou.

Por outro lado, para Janna Cunceva, professora de russo que vive há 18 anos em Lisboa, o mais importante é que a competição seja leal. "Espero que seja um jogo bem disputado e, se passar a Croácia, apoiaremos os croatas até à final, são como nossos irmãos. O povo russo está muito alegre e orgulhoso da organização deste Mundial e espero que tenhamos transmitido ao mundo a ideia de que somos uma pátria de coração aberto", explicou. Adornada com um vestido típico do seu país, Janna revelou-se feliz em Portugal: "Adoro viver aqui e sinto-me muito portuguesa, tenho pena que tenham sido já eliminados. Mas pronto, ganhar e perder faz parte do jogo!"

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