Colheita de ouro de 1999. Quem são os miúdos que fazem sonhar Portugal

Seleção de sub-19 atingiu a final do Europeu da categoria com onze jogadores que há dois anos foram campeões continentais de sub-17, dos quais sete foram finalistas vencidos do Euro sub-19 do ano passado. Conheça melhor esta geração

A seleção nacional sub-19 garantiu esta quinta-feira a presença na final do Campeonato da Europa da categoria (realiza-se domingo e o adversário é a Itália), a 24.º da história das seleções jovens portuguesas - incluindo Mundiais - e a terceira da colheita de ouro de 1999, ano em que nasceram os 20 convocados por Hélio Sousa.

Além do selecionador, que vai para a sexta final de quinas ao peito - duas como jogador e quatro como treinador -, existem entre os convocados onze jogadores que há dois anos foram campeões europeus de sub-17, dos quais sete foram também vice-campeões continentais de sub-19 no ano passado.

O guarda-redes Diogo Costa (FC Porto), o central Diogo Queirós (FC Porto) - o 'veterano' do grupo, nascido a 5 de janeiro -, os médios Florentino Luís (Benfica), Miguel Luís (Sporting) e Domingos Quina (West Ham) e os extremos João Filipe e Mésaque Djú (ambos Benfica) são os que vão para a terceira presença num jogo decisivo. A estes também poderiam ter-se juntado o lateral esquerdo Rúben Vinagre (Wolverhampton) e o avançado José Gomes (Benfica), que falham este hat trick de finais devido à ausência por lesão no torneio do ano passado. Quem também pode sagrar-se campeão europeu por dois escalões são o guarda-redes suplente João Virgínia (Arsenal) e o defesa Thierry Correia (Sporting), que em 2016 tocaram o céu continental nos sub-17.

Para se ter a noção da qualidade dos nativos de 1999, neste Europeu da Finlândia também poderiam estar outros seis nomes que já não são propriamente desconhecidos do grande público. O avançado Rafael Leão, que rescindiu unilateralmente com o Sporting na sequência dos incidentes na Academia do clube a 15 de maio, falhou a presença no torneio precisamente devido à indefinição em torno do seu futuro. Outro ausente sonante, mas por lesão, é o lateral Diogo Dalot, que este verão trocou o FC Porto pelo Manchester United. Já o guarda-redes Luís Maximiano (Sporting), o central Diogo Leite (FC Porto), o médio Gedson Fernandes e o extremo João Félix (ambos Benfica) ficaram de fora porque estão nas pré-épocas dos respetivos clubes à procura de lutar por um lugar no plantel.

O benjamim que dá o exemplo pelos golos

Voltemos a focar-nos nos 20 convocados de Hélio Sousa, até porque as ausências de uns têm permitido a revelação de outros. Que o diga o extremo Francisco Trincão (Sp. Braga), o benjamim (nasceu a 29 de dezembro) e melhor marcador da equipa, com quatro golos, dois neles na goleada desta quinta-feira sobre a Ucrânia (5-0) que valeu o passaporte para o jogo decisivo. Embora ainda tenha idade de júnior, tal como os restantes companheiros, leva 39 jogos e seis golos pelo Sp. Braga B na competitiva II Liga.

O atacante bracarense não é, porém, um caso isolado no que concerne à rodagem competitiva no futebol sénior. O caso mais flagrante é o do médio ofensivo Domingos Quina, filho do antigo central benfiquista e boavisteiro Samuel, que leva seis jogos na equipa principal do West Ham, entre os quais dois na Liga Europa e um na Taça da Liga diante do Arsenal. Mas há mais: José Gomes, conhecido por Zé do Golo, participou em cinco jogos do Benfica no início da temporada 2016/17, numa fase em que Rui Vitória não podia contar com Jonas, Mitroglou e Jiménez, e contabiliza 49 partidas e 10 golos pelos bês encarnados.

Outros não tão afortunados, mas ainda assim com o mérito de terem jogado um escalão acima, já jogaram pelas equipas B dos respetivos clubes. São os casos de Florentino Luís (51 jogos pelo Benfica B), Diogo Costa (34 jogos pelo FC Porto B), João Filipe (28 jogos pelo Benfica B), Diogo Queirós (27 jogos pelo FC Porto B), Nuno Santos (16 jogos pelo Benfica B), Miguel Luís (15 jogos pelo Sporting B), Mésaque Djú (oito jogos pelo Benfica B) e Elves Baldé (quatro jogos pelo Sporting B).

Grandes só fornecem metade dos convocados

Curioso é também o facto de os chamados três grandes, que tradicionalmente costumam reinar nas convocatórias das seleções jovens, estarem representados apenas por metade dos jogadores. O Benfica deu cinco atletas, mas o Sp. Braga surge imediatamente a seguir, a par do Sporting, com três. Só depois aparece o FC Porto, com dois. V. Guimarães e Rio Ave estão presentes por intermédio do defesa Romain Correia e do defesa Diogo Teixeira, respetivamente, e há ainda cinco jogadores a atuar no estrangeiro: além dos já citados Domingos Quina, João Virgínia e Rúben Vinagre, estão presentes o defesa Nuno Henrique (Sion) e o avançado Pedro Correia (Deportivo da Corunha).

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...