FC Porto tinha computador em sala de acesso restrito para armazenar e-mails do Benfica

Esta foi a quarta sessão do julgamento da ação em que o Benfica reclama uma indemnização a empresas e figuras do universo do FC Porto pela divulgação de e-mails internos do clube encarnado

O coautor do livro O Polvo Encarnado, Diogo Faria disse esta sexta-feira em tribunal que só ele e o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, tinham acesso aos e-mails internos do Benfica.

Num depoimento perante o Juízo Central Cível do Porto, Diogo Faria afirmou que se usava para o efeito um computador do FC Porto, que não estava ligado à rede interna do clube e do qual apenas ele e Francisco J. Marques conheciam a senha de acesso.

"Só nós tínhamos acesso ao computador onde essa informação estava armazenada. O computador servia exclusivamente para isso e estava numa sala fechada de que só nós dois tínhamos a chave", declarou.

Diogo Faria, uma testemunha comum do FC Porto e Benfica, falava durante a quarta sessão do julgamento da ação em que o Benfica reclama uma indemnização a empresas e figuras do universo do FC Porto pela divulgação de e-mails internos do clube 'encarnado'.

No âmbito deste processo, Diogo Faria analisou, por incumbência do diretor de comunicação, pelo menos 20 gigabits de correio eletrónico do Benfica para, segundo assinalou, procurar indícios de crimes que pudessem ser denunciados.

A testemunha disse desconhecer quem forneceu os e-mails internos do Benfica e acrescentou que Francisco J. Marques também.

A designação do e-mail de onde vinha a informação não permitia perceber o nome do remetente, explicou a testemunha, excluindo a possibilidade de terem sido forjados.

"Eram e-mails reais", defendeu, apoiado numa notícia da Lusa, que citava Pedro Guerra, ligado ao universo benfiquista, a declarar que admitia a existência dos e-mails, mas não se lembrava do conteúdo.

Além de testemunha comum do FC Porto e do Benfica neste processo cível, Diogo Faria é arguido por alegado acesso ilegítimo a e-mails do Benfica, na sequência de uma denúncia dos 'encarnados'.

Diogo Faria colabora com a empresa FC Porto Média desde 01 de junho de 2017, dependendo hierarquicamente do diretor de comunicação do clube, com quem colaborou na escrita do livro O Polvo Encarnado, sendo também coautor da página do Facebook Baluarte do Dragão.

No processo em que é autora, a SAD do Benfica corresponsabiliza por "danos de imagem", causados pela divulgação dos e-mails, a homóloga do FC Porto, o presidente da sociedade e do clube, Pinto da Costa, os administradores Fernando Gomes e Adelino Caldeira e o diretor de comunicação, Francisco J. Marques, além da FC Porto Média, empresa detentora da estação televisiva Porto Canal.

O Benfica alega que a divulgação dos e-mails afetou a credibilidade do clube, prejudicando os seus interesses comerciais e chegando a provocar a queda de cotação das ações da SAD na bolsa.

O FC Porto alega que se limitou a divulgar informação de interesse público e que as mensagens de correio eletrónico em causa revelam práticas deturpadores da verdade desportiva.

Numa audiência prévia realizada em 20 de novembro de 2018, em que se fixou o valor da causa, foi também admitida a reconvenção (uma espécie de contra-ação), deduzida pela ré, pedindo uma indemnização cujo valor não foi divulgado.

Em 11 de janeiro deste ano, foi anunciado que Benfica e FC Porto falharam, em audiência preliminar, um acordo que permitiria evitar o julgamento, que prossegue na tarde de hoje.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

Premium

Viriato Soromenho Marques

Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

Premium

João Taborda da Gama

Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.