Raikkonen deixa a Ferrari. Charles Leclerc substitui-o em 2019

O piloto finlandês, de 38 anos, deixa a escuderia italiana no final da época e regressa às origens: a Sauber. Monegasco Charles Leclerc é o substituto

"Durante estes anos, o contributo de Kimi para a equipa, quer na qualidade de piloto, como pelas suas qualidades humanas, foi fundamental. Teve um papel decisivo no crescimento da escuderia, e foi, ao mesmo tempo, um grande 'jogador' de equipa", refere a Ferrari em comunicado.

A marca italiana salienta que o finlandês fará sempre parte da história da Ferrari e da sua família, depois de ter sido campeão mundial de Fórmula no seu ano de estreia na escuderia, em 2007, naquele que é o único título mundial de Raikönnen.

Pouco depois do comunicado da Ferrari, o próprio Raikkönen surpreendeu ao anunciar que vai continuar na Fórmula 1, mas na Sauber, equipa em que começou a carreira na categoria máxima do desporto automóvel, em 2001. O acordo é válido para as próximas duas temporadas.

Na mítica escuderia italiana do cavallino rampante, Raikkönen já tem sucessor. Aos 20 anos, Charles Leclerc, filho do milionário dono da cadeia de supermercados com o mesmo nome, deixa a Sauber e ruma à Ferrari, com a qual já tinha assinado um pré-acordo. Uma das novas sensações da F1, Leclerc é um jovem produto da Academia da Ferrari, tendo já conquistado os títulos de GP3 e F2

O monegasco vai assim ser o colega de equipa de Sebastian Vettel a partir de 2019. "Os sonhos tornam-se realidade. Estou extremamente agradecido à Ferrari pela oportunidade que me dá", reagiu através do Twiter.

Um título e o culto em redor do Iceman

O título mundial de 2007 fica como o grande feito de Kimi Raikkönen na Ferrari e na Fòrmula 1. No ano de estreia na escuderia italiana, o finlandês ganhou o campeonato num final dramático, superando os dois pilotos da McLaren (o então rookie Lewis Hamilton e o campeão em título Fernando Alonso) por um ponto, após uma emocionante última corrida em Interlagos, no Brasil, que o finlandês venceu.

O piloto contabiliza 100 subidas ao pódio e vitórias em 20 Grande Prémios, numa carreira que começou em 2001 na Sauber e passou depois pela McLaren e pela Ferrari, de onde saiu uma primeira vez, em 2010, para duas épocas fora do Grande Circo - teve experiências no Mundial de ralis e na Nascar.

Regressou em 2012 à F1, para a Lotus, conseguindo o terceiro lugar do mundial de pilotos, e em 2014 regressou à Ferrari, de onde agora se despede para voltar à equipa onde a aventura começou.

Atraindo um culto em seu redor que ultrapassa os limites das pistas, Raikkönen é um dos mais populares pilotos da Fórmula 1 atual. A personalidade do finlandês, de poucas falas mas quase sempre contudentes, e a sua cara normalmente fechada, pouco emotiva, fizeram dele uma das figuras mais carismáticas do paddock.

As suas trocas de mensagens rádio com a equipa durante as corridas são um sucesso nas redes sociais, como uma no GP de Abu Dhabi, em 2012, em que respondeu com um: "Deixem-me em paz, eu sei o que estou a fazer".

Na temporada que ainda decorre, Raikönnen segue em terceiro lugar no Mundial a sete corridas do final, atrás de Lewis Hamilton (Mercedes) e Sebastian Vettel, seu companheiro de equipa na Ferrari.

Primeiro monegasco na Ferrari

Já Charles Leclerc fez a sua estreia na Fórmula 1 em março deste ano, com a Sauber, depois de ter sido campeão de Fórmula 2 em 2017. Integrava desde 2016 a Ferrari Drivers Academy.

Atualmente ocupa o 15.º lugar entre os 20 pilotos do campeonato, com 13 pontos.

Será um dos mais jovens pilotos a correr pela Ferrari, sendo o primeiro monegasco a fazê-lo.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.