Bruno de Carvalho suspenso por um ano e afastado de eleições

Carlos Vieira também suspenso, por dez meses, tal como os restantes membros do anterior conselho diretivo que não se demitiram.

A Comissão de Fiscalização do Sporting decidiu aplicar um ano de suspensão de sócio ao ex-presidente Bruno de Carvalho, confirmou o DN junto de fonte do processo, inviabilizando assim a sua candidatura às próximas eleições, a 8 de setembro.

Também Carlos Vieira, antigo vice-presidente de Bruno de Carvalho que encabeçava outra candidatura às próximas eleições, é suspenso por dez meses, retirando-o também da corrida eleitoral.

A conclusão dos processos disciplinares em curso desde 13 de junho ocorreu nesta quinta-feira e a decisão da comissão de fiscalização será notificada aos interessados durante esta noite ou no dia de sexta-feira.

Além de Bruno de Carvalho e de Carlos Vieira, são também suspensos de sócios os restantes membros do anterior conselho diretivo que não se demitiram. Alexandre Godinho, Rui Caeiro, José Quintela e Luís Gestas são suspensos por dez meses. Só Luís Roque escapa com uma admoestação.

Este é o resultado do primeiro processo disciplinar, mas há mais processos pendentes contra os elementos do antigo conselho diretivo, confirmou o DN, pelo que as penas agora conhecidas poderão ainda ser agravadas.

Posteriormente, foi a Comissão de Fiscalização do Sporting emitiu o seguinte comunicado:

A Comissão de Fiscalização do Sporting Clube de Portugal encerrou esta madrugada o primeiro processo que lhe foi legalmente remetido por sócios do SCP contra os membros do Conselho Diretivo que se encontravam em funções - Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, Rui Caeiro, José Quintela, Luís Roque, Luís Gestas e Alexandre Godinho.

A suspensão preventiva e interdição de entrada nas instalações, decretada a 8 de junho, tinha em conta a gravidade dos factos apontados. Recorde-se que, entre estes, se destacava a oposição continuada e acirrada à realização da Assembleia Geral de dia 23 de Junho passado, legalmente convocada pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral, e que tinha entre os pontos da Ordem de Trabalhos a possibilidade de destituição do mesmo Conselho Diretivo. Esta AG apenas se realizou depois de intervenção judicial e dela resultou o afastamento, por 71% dos votos a favor, deste Conselho Diretivo.

Estatutariamente foram convocadas eleições para dia 8 de setembro, com o prazo de entrega de listas até 8 de agosto. A mera descrição cronológica faz, pois, cair por terra as insinuações de que a suspensão visava apenas impedir alguns candidatos de apresentarem as suas listas. Quando foram suspensos não havia no horizonte qualquer eleição e esta Comissão estava impedida de entrar nas instalações do Sporting Clube de Portugal. Ao contrário, os ora visados não se coibiram de desrespeitar a interdição de o fazerem e de anunciarem que jamais teria lugar a AG de 23. Acresce que criaram - e este é outro dos pontos graves da acusação - órgãos não estatutários com os quais tentaram iludir os sócios. Convocaram ilegalmente duas Assembleias Gerais e desrespeitaram não só órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal, como diversos sócios sobre os quais não pouparam insultos.

Todos estes factos são firmemente condenados pelos Estatutos e pelo Regulamento Disciplinar, que entrou em vigor a 17 de fevereiro passado.

A sanção mais grave prevista no Sporting Clube de Portugal é a expulsão de sócio. Tendo legitimidade para tomar essa medida, e havendo matéria suficiente para o fazer, não quis esta CF deixar de considerar atenuantes e de respeitar o passado do clube.

A segunda sanção mais grave, à data em que correram os factos (anteriores à AG de 23 de junho) era, pelos estatutos então em vigor, um ano de suspensão.

Por ter sido, inegavelmente o principal artífice e responsável da situação grave e antiestatutária criada, foi esta a pena que o CF aplicou ao ex-presidente Bruno de Carvalho.

A todos os restantes elementos, à exceção de Luís Roque, foi aplicada a pena de 10 meses de suspensão.

Por último, a Luís Roque, que conseguiu provar a sua ausência das reuniões onde estes atos mais graves foram decididos, embora não provasse a sua oposição ativa aos mesmos, aplicou-se a pena de repreensão registada.

A presente decisão, unanimemente tomada pelos cinco elementos do CF, decorre de inúmeros dias de trabalho voluntário, ouvindo testemunhas, respondendo a requerimentos e esclarecimentos e coligindo um processo que contém mais de 500 páginas de documentos.

Em curso estão mais processos nesta CF, nomeadamente contra elementos que aceitaram pertencer a órgãos não estatutários, bem como outros requerimentos de sócios que visam o comportamento dos mesmos visados e, nomeadamente do ex-presidente Bruno de Carvalho, durante e nos dias posteriores à Assembleia Geral.

A Comissão de Fiscalização

Henrique Monteiro

João Duque

António Paulo Santos

Luís Sousa

Rita Garcia Pereira

(Notícia atualizada às 22:20 com comunicado da Comissão de Fiscalização)

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