Bruno de Carvalho: "Existe um espírito de vingança total"

O ex-presidente do Sporting garantiu que a Comissão de Fiscalização "não é isenta" e garante que é sócio "de pleno direito" e a lei vai permitir ser candidato

Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting, viu esta quarta-feira a sua candidatura ser rejeitada pela mesa da Assembleia Geral por estar suspenso de sócio do clube de Alvalade. Em declarações à SIC Notícias, o ex-líder leonino garantiu "não existe nos estatutos a figura da suspensão preventiva de sócio".

E, nesse sentido, garante que Jaime Marta Soares, presidente da mesa da Assembleia Geral dos leões, "não devia ter impedido de ser rececionada a candidatura" e explicou porquê: "Nenhum de nós está suspenso de sócio. Há uma série de providencias cautelares que já entraram e outras que vão entrar, e é evidente que somos sócios de pleno direito."

"Fomos entregar o processo formal da nossa lista com órgãos sociais bem definidos e é lógico que alguém da minha candidatura avisou os serviços que íamos lá", esclareceu Bruno de Carvalho, deixando depois uma bicada a Jaime Marta Soares: "Por coincidência, ele estava a passear à frente do pavilhão Multidesportivo e apareceu para falar aos jornalistas." "Não me encontro suspenso, nem nenhum outro membro dos meus antigos órgãos sociais", sublinhou o ex-presidente.

Vamos acabar por fazer a entrega dos documentos. Os sportinguistas querem saber das ideias que temos enquanto candidatos. Querem saber de um projeto vencedor após um ano melhor de sempre na história do Sporting. Tenho a certeza que não é uma preocupação a entrega das listas, mas será feita pois estamos num país onde reina a democracia e o estado de direito.

Sobre o processo disciplinar de que está a ser alvo, Bruno de Carvalho garantiu que "está a decorrer com base nos regulamentos que não estavam em vigor quando o processo se iniciou". O antigo líder leonino assumiu mesmo que "os membros da Comissão de Fiscalização não são isentos, pois quando assumiram funções já tinham tido declarações pouco abonatórias a meu respeito, acrescentando que o processo disciplinar "está colocado incorretamente".

"O que se passa não é a defesa dos superiores interesses do Sporting. Eu mexi com muitos interesses instalados e neste momento as pessoas estão a vingar-se. É um espírito de vingança total. Tenho a certeza que a lei não vai aceitar a decisão sobre esse processo disciplinar e eu sou apenas um cidadão cumpridor da lei", adiantou Bruno de Carvalho.

O ex-presidente está convencido que este processo irá terminar com "todos" os membros da anterior direção a "poderem-se candidatar, com os sócios do Sporting a dizerem qual é a direção que querem". "Houve pelo menos 30% das pessoas que não quis a minha destituição, muitos dos que quiseram já me disseram que o fizeram para me poderem legitimar numas novas eleições. E outros já estão arrependidos, depois de verem o caminho que o Sporting tomou", revelou.

Bruno de Carvalho não se alongou depois sobre uma eventual traição do seu vice-presidente Carlos Vieira, que pretende também avançar com uma candidatura. "Acredito sempre na vontade das pessoas ajudarem, não retiro daqui mais nada", limitou-se a dizer.

Sobre a sua lista disse estar "muito satisfeito" com a equipa que construiu. "Vai permitir-me estar muito mais protegido, não ser demasiado voluntarioso, que foi um dos meus erros, e vai permitir-me fazer aquilo que sou bom que é a gestão e o pensamento estratégico. No último mandato, não soube defender a minha imagem e muitos dos meus erros foram de excesso de voluntarismo", acrescentou.

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