Desviar a cabeça para Istambul quase estragava o arranque do Benfica

Um hat-trick de Pizzi em 38 minutos deu corpo a uma entrada arrebatadora do Benfica no campeonato, mas depois o Fenerbahçe desviou a mente das águias e o V. Guimarães quase cobrou a imprudência (3-2)

O Benfica entrou com fome de lobo e saiu quase com pele de cordeiro num jogo de arranque da Liga 2018/19, frente ao V. Guimarães, que proporcionou cinco golos, um bom espetáculo e um hat-trick de Pizzi em 38 minutos, na primeira parte.

Depois de uma entrada avassaladora, materializada com esses três golos do médio encarnado, Rui Vitória achou que, aos 70 minutos, e a ganhar por 3-0, já era seguro dar como adquiridos os três pontos e colocar a equipa a pensar no importante jogo da próxima terça-feira em Istambul, onde o Benfica joga a sua sorte imediata na Liga dos Campeões.

A substituição de Fejsa, o homem que se tem afirmado como o médio defensivo indispensável da equipa nos últimos anos, era o sinal evidente disso mesmo, pouco depois de Cervi já ter dado lugar a Rafa com essa gestão em mente. E por muito que o discurso do técnico não tenha sido esse, a ideia era indisfarçável. Substituir Fejsa é uma daquelas coisas que só acontecem por duas razões: ou por lesão, ou por sentimento de que um jogo está ganho e é preciso poupar o sérvio.

No relvado, a ideia não demorou a instalar-se. O Benfica relaxou demasiado, numa atitude típica de quem tem já a cabeça noutro lado. Aliado a isso, as alterações táticas introduzidas por Luís Castro num Vitória de Guimarães que, na primeira metade, se vira ultrapassado nas suas boas intenções de jogo por um ritmo completamente superior da equipa de Rui Vitória, mas que soube ajustar o figurino na segunda metade.

Rui Vitória achou que, aos 70 minutos, e a ganhar por 3-0, já era seguro dar como adquiridos os três pontos

O técnico vimaranense estancou a hemorragia defensiva alterando o meio-campo defensivo para um duplo pivot e o V. Guimarães teve melhor equilíbrio. Mas foi só quando Rui Vitória deu o sinal de que o Fenerbahçe "entrara em campo" que os minhotos aproveitaram o desleixe encarnado para esticar o jogo até à área de Vlachodimos.

No espaço de cinco minutos, entre os 76 e os 81, o V. Guimarães conseguiu fazer dois golos (André André marcou o primeiro e ofereceu o segundo a Celis) em boas jogadas de envolvimento coletivo que deixam uma boa declaração de intenções em relação à ideia de jogo que Luís Castro pretende implementar no Afonso Henriques - assim os vimaranenses tenham a paciência que teve na época passada o Desportivo de Chaves, por exemplo, para ver florescer um modelo que precisa do seu tempo para ir sendo assimilado.

Dois abanões que fizeram o Benfica tocar a rebate e voltar a acordar para o jogo, abandonando os pensamentos europeus para salvar a entrada vitoriosa num campeonato que quer que seja o da #reconquista - hashtag oficial nas redes sociais do clube da Luz para esta época, depois de perder o título de campeão par ao FC Porto na época passada.

Pizzi goleador em Benfica empolgante

Cinco minutos que quase apagavam então a versão avassaladora, recuperemos o adjetivo, com que o Benfica arrancou neste campeonato, com um futebol de alta voltagem que reduziu o V. Guimarães quase a pó na primeira parte e fez brilhar Pizzi, com um inédito hat-trick com a camisola das águias.

Uma entrada de sonho do médio encarnado nesta Liga, a demonstrar vontade de recuperar a sua melhor versão depois de uma época passada mais apagada. Com o Benfica a jogar de prego a fundo, imprimindo grande intensidade na pressão sobre a bola, o que permitia recuperá-la em zonas de perigo para o adversário, Pizzi conseguia aparecer consecutivamente em zonas de finalização, materializando a avalanche de futebol ofensivo da equipa com três remates certeiros já na área.

Belo jogo do jovem Gedson Fernandes no meio-campo,conseguindo dar velocidade e verticalidade à condução de bola

Nessa fase de encantamento, o Benfica mostrou uma variedade de jogo que nem sempre se lhe conhece. Além das já habituais acelerações pelos flancos - onde Salvio esteve especialmente endiabrado - a equipa de Rui Vitória conseguiu romper linhas interiores, destacando-se aí mais um belo jogo do jovem Gedson Fernandes no meio-campo,conseguindo dar velocidade e verticalidade à condução de bola como não se via na Luz talvez desde... Renato Sanches (sim, a comparação é quase inevitável). O médio esteve em dois dos três golos, com uma grande arrancada no primeiro deles.

Nessa primeira parte, os 3-0 até eram lisonjeiros para o V. Guimarães, que viu ainda o Benfica ter um golo bem anulado a Salvio e Ferreyra falhar um penálti - o novo avançado argentino continua a deixar muito a desejar e voltou a repetir a exibição infeliz já assinada diante do Fenerbahçe, não contribuindo assim para retirar carga dramática à indefinição em redor da continuidade de Jonas, o grande ausente deste arranque de campeonato do Benfica.

O V. Guimarães também teve duas boas oportunidades, podia até ter inaugurado o marcador por Tallo (Vlachodimos defendeu bem o cabeceamento, aos sete minutos), mas o primeiro golo de Pizzi, logo aos dez minutos, soltou o gatilho de um Benfica explosivo.

No entanto, a pressa em apanhar as canas e partir para outra quase estragava a festa na Luz. Ficou o susto e um aviso.

FICHA DO JOGO

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Grimaldo, Fejsa (Alfa Semedo, 71'), Pizzi, Gedson, Salvio (Zivkovic, 78'), Cervi (Rafa, 65'), Ferreyra.

Treinador: Rui Vitória

Vitória de Guimarães: Douglas, Dodo, João Afonso, Osório, Rafa Soares, Wakaso, André André, Boyd, João Teixeira (Celis, 62'), Ola John (Davidson, 46'), Tallo Jr (Alexandre Guedes, 65').

Treinador: Luís Castro

Árbitro: João Pinheiro (Braga)

Ação disciplinar: cartão amarelo para Boyd (59'), Rafa Soares (68'), Celis (86') e Wakaso (90'+3).

Assistência: 55.219 espectadores

Golos: 1-0, Pizzi, 10 minutos; 2-0, Pizzi, 30'; 3-0, Pizzi, 38'; 3-1, André André, 76'; 3-2, Celis, 81'.

FIGURA

Pizzi. Uma entrada de sonho no campeonato para o médio do Benfica, com um hat-trick inédito com a camisola encarnada - e segundo na carreira, depois de um marcado ao FC Porto pelo Paço de Ferreira, também sob o comando de Rui Vitória. Depois de uma época anterior algo apagada, Pizzi deixa um ótimo sinal de querer resgatar a influência que fez dele uma peça fundamental no título de há duas épocas. O que só pode ser uma boa notícia para o Benfica

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