Benfica lança seis questões à Liga e à FPF

Vice-presidente encarnado Varandas Fernandes diz que "é tempo de clarificar posições", a uma semana do arranque do novo campeonato.

Com o início da nova época à porta, o Benfica lançou publicamente um conjunto de seis perguntas para as quais espera respostas por parte da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal.

"Ao longo da época passada, viveu-se em Portugal um ambiente asfixiante. Assistimos a uma guerrilha permanente, com o propósito evidente de condicionar os agentes desportivos e, em particular, a arbitragem. Esse estado de coisas tem de acabar. Para que tal aconteça e as coisas mudem, em defesa da transparência e da verdade, algumas questões devem ser esclarecidas, antes de o campeonato ter início, no dia 10 de agosto", justificou o dirigente Varandas Fernandes, em conferência de imprensa promovida pelo Benfica nesta quinta-feira.

Aqui ficam as questões levantadas pelos encarnados:

1 - Qual o ponto de situação das investigações à invasão ao centro de treinos dos árbitros na Maia? Já passou tempo de mais sem os necessários esclarecimentos. Prevalecem as dúvidas e o caso parece esquecido, sob um manto de silêncio e opacidade. Nós não esquecemos.

2 - Qual o ponto de situação sobre as queixas apresentadas por vários árbitros em relação às ameaças que sofreram e que também visaram as suas famílias e os seus bens? Também aqui um manto de silêncio cobre o caso.

3 - Qual a explicação da Liga Portugal para que na época 2017-2018 não se tenham cumprido os regulamentos na realização da segunda parte do jogo Estoril-Futebol Clube do Porto? Para quem já se esqueceu - porque há quem queira fazer esquecer estas coisas -, o jogo foi retomado 37 dias depois. Nunca se percebeu esta decisão e, para que coisas como esta não se repitam, a Liga deve dar explicações.

4 - Como se explica que o relatório de perícia feito pela Federação Portuguesa de Futebol, sobre a recente divulgação pública de contratos de jogadores do Sport Lisboa e Benfica, tenha sido publicado num blogue? O documento nunca foi recebido aqui no clube, pelo que é evidente que não foi no Benfica que a fuga teve origem.

5 - Reconhecendo e assumindo a Liga Portugal e a Federação Portuguesa de Futebol a existência de fragilidades e falta de segurança no sistema de troca de correspondência sobre contratos que circulam entre os seus serviços, uma pergunta se impõe: porque será que só há fugas para a praça pública de contratos do Benfica, e sempre em blogues reconhecidamente associados a outros clubes? No mínimo, é coincidência a mais...

6 - Como se justificam o silêncio e a total inação da Liga Portugal e da Federação Portuguesa de Futebol diante do crime de acesso indevido e divulgação de correspondência privada por parte de um clube em relação a outro, seu concorrente direto nas competições que a Liga e a Federação gerem e regulamentam? Já existem decisões do Tribunal Administrativo do Porto e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre esta matéria. Este silêncio não se compreende e é insustentável, ainda mais quando se percebe que há quem queira prosseguir neste tipo de práticas.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?