Marega já é um clássico

Marega falha para Brahimi marcar, Marega estreia-se a marcar ao nono clássico. Eficácia de campeão abate Benfica e coloca o FC Porto na final da Taça da Liga num clássico que foi um grande jogo e que teve um lance polémico.

Ao nono jogo com os grandes rivais, Marega marcou finalmente. Tocou ao Benfica transformar o maliano num clássico, ele que tinha proporcionado uma recarga vitoriosa a Brahimi no primeiro e assinou o 2-1 (Fernando marcou logo no primeiro clássico e fechou as contas num 3-1). Marega já é clássico como a eficácia do campeão. Foi essa a grande diferença para um Benfica ameaçador, mas com pouco golo. O FC Porto espera agora pelo Sp. Braga-Sporting desta quarta-feira para saber o adversário da final no sábado. E se à terceira é de vez.

No périplo retemperador pelo Minho, onde venceu dois jogos em três dias na Cidade Berço (1-0 para a Taça e também para a Liga), o Benfica tentava tornar-se na criptonite do campeão FC Porto. Esta época, a equipa de Sérgio Conceição só perdeu duas vezes: em casa perante o Vitória de Guimarães (um duro 2-3 depois de estar com dois golos de avanço) e na Luz (1-0).

Mas o primeiro minuto quase foi fatal. Marega teve o golo nas botas, mas rematou contra Svilar. O escudo anti-campeão da equipa agora orientada por Bruno Lage parecia estar ativo. E se o maliano havia pecado naquilo que tantas vezes peca (finalização), o Benfica foi um clássico Marega. Mas sem o fogo e persistência do avançado portista, como se haveria de ver mais à frente.

João Félix e Rafa tiveram boas oportunidades num jogo em que o Benfica se mostrava muito fluído e com um futebol que ia furando a "zaga" azul e branca (Vaná; Militão, Pepe, Felipe e Alex Telles...). O FC Porto, no entanto, tem estrela. E estrelas. Marega apareceu novamente na cara de Svilar, permitiu a defesa do guardião, mas a sobra foi tão grande que Brahimi quase nem teve de correr para a recarga vitoriosa e fácil, fácil (24").

Só que, finalmente, o Benfica acertou com as redes. Rafa, que estava a complicar a vida aos defesas contrários, aproveitou uma recarga (Seferovic permitiu a defesa a Vaná) para empatar (31").

Tudo em aberto? Parecia. Três minutos depois, Brahimi descobriu Corona junto à linha, o mexicano atrasou e Marega, na sua faceta solar, desfez o empate. Mas não (ainda) o adversário.

Pizzi marca, VAR anula

A equipa de Bruno Lage continuava solta e a responder à habitual intensidade portista, menos vistosa neste jogo. E foi com o veneno do adversário (um contra-ataque fulminante) que empatou. Ou não. O VAR chamou a atenção de Carlos Xistra, que assinalou fora-de-jogo a Rafa que, isolado por Seferovic, serviu Pizzi para o que seria 2-2. O árbitro, conforme se ouviu na transmissão da Sport TV, tinha avisado antes do início do jogo: "A minha decisão pode não ser a última, não venham para cima de mim". E ficou anotado um lance que vai dar que falar...

Na segunda parte, Seferovic isolou-se e na cara de Vaná atirou ao lado (parecia o lance que permitiu ao suíço bater Casillas na Luz para a Liga). O Benfica mostrava carácter, criava oportunidades, punha-se em bicos de pés para discutir o jogo com o campeão. Mas para isso é preciso eficácia, e nem João Félix, nem Rafa a tiveram.

Teve-a o FC Porto num lance do livro de jogadas de Conceição. Saída rápida, Soares isolou Fernando Andrade e o brasileiro acabou com o jogo aos 86".

Um jogo que agradou na generalidade, porque os ataques se sobrepuseram demasiadas vezes às defesas. Algo que não deve ter agradado a nenhum dos treinadores, mas deixou Sérgio Conceição mais perto de ganhar, finalmente, a Taça da Liga para o FC Porto. Será a terceira final, depois de duas derrotas (2010: 0-3 Benfica; 2013: 0-1 Braga). O Sporting, um dos possíveis adversários (joga esse estatuto esta quarta-feira frente à equipa da "casa", o Sp. Braga), também só ganhou à terceira. Mas com o mestre da Taça da Liga: Jorge Jesus venceu há um ano pela sexta vez (cinco pelo Benfica, que soma sete das onze edições).

A FIGURA: MAREGA

É um jogador estonteante, Moussa Marega. Pelo que produz coletivamente, pelo que produz individualmente, pela fome insaciável que o ligam a uma corrente inesgotável (atrás dos adversários, da bola e dos golos). Mas também pelo desespero que provoca mais vezes do que seria ideal na cara dos guarda-redes. Mas se não tivesse esta relação menos forte com o golo, estávamos perante um fenómeno muito acima do nível do futebol português. Está no topo.

No jogo com o Benfica, começou por sugerir que ia ter uma noite torpe, falhando um golo cantado na cara de Svilar (acertou no guarda-redes), e depois outro. Só que neste, a bola sobrou para Brahimi fazer o 1-0. Pois. Estas situações de jogo podem ser encaradas como falhanços de Marega. Ou oportunidades para o campeão nacional. E assim foi.

O maliano acabaria por marcar o golo decisivo, após a 8.ª assistência da época de Corona (melhor registo do mexicano: já leva mais do que as sete de 2016/17). O de Fernando, no final, só assinou o abate do Benfica.

FICHA DO JOGO

Estádio Municipal de Braga.

Benfica-FC Porto, 1-3.

Benfica: Svilar, André Almeida (Salvio, 83), Rúben Dias, Jardel, Grimaldo, Samaris, Gabriel (Gedson, 60), Pizzi (Castillo, 72), Rafa, João Félix e Seferovic.

Treinador: Bruno Lage.

FC Porto: Vaná, Éder Militão, Felipe, Pepe, Alex Teles, Herrera, Oliver, Brahimi (Fernando Andrade, 77), Marega, Corona (Bruno Costa, 65) e André Pereira (Soares, 60).

Treinador: Sérgio Conceição.

Marcadores: 0-1, Brahimi, 24 minutos; 1-1, Rafa, 31; 1-2, Marega, 35 e 1-3, Fernando Andrade, 86.

Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Alex Teles (12), Seferovic (45+1), Jardel (55), André Pereira (57), Gedson (64), Felipe (71), Soares (90+2).

Assistência: 22.945 espetadores.

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