Benfica e Sp. Braga anunciam recurso da pena de um jogo à porta fechada

Os encarnados consideram a decisão do Conselho de Disciplina "ilegal, infundada e injusta" enquanto os bracarenses afirmam que a pena é "desconforme com os factos imputados"

O Benfica e o Sp. Braga anunciaram esta terça-feira que vão recorrer da decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol de puni-los com um jogo à porta fechada.

Os encarnados consideram a decisão "absolutamente ilegal, infundada e injusta, tendo em conta os factos e a prova produzida", alegando que o jogo foi no Estoril e, como tal, "não era o SL Benfica o promotor do espetáculo desportivo".

Nesse sentido, defende que "era à equipa visitada que competia assegurar a segurança do jogo, designadamente, a contratação de policiamento e de assistentes de recinto desportivo, realizar a revista de pessoas e bens, proibir a entrada de objetos proibidos ou perigosos no estádio e, em geral, o garantir da ordem e da disciplina no recinto desportivo".

A SAD do Benfica acrescenta que "não foram identificados, detidos, nem expulsos do estádio os adeptos autores dos arremessos", recorda que discordou do local onde foram colocados os seus adeptos "a junto da Estoril Praia SAD, Liga Portuguesa de Futebol Profissional e forças de segurança, por então considerar que se estava a potenciar o risco de arremesso de objetos para o interior do recinto (como veio a acontecer)" e explica ainda que "demonstrou ter adotado um conjunto de medidas de carácter preventivo e profilático antes da realização do jogo".

Nesse sentido, o Benfica diz ser "ridícula a interpretação da norma aplicada no sentido de se considerar que, aquando de 'uma manifestação de regozijo' - conforme leitura do próprio árbitro do jogo -, durante a celebração de um golo, um 'atraso' no reinício do jogo inferior a 45 segundos, estão preenchidos os requisitos que determinem a sanção de realização de um jogo à porta fechada". Como tal deixam um reparo: "As normas interpretam-se e não se aplicam de forma autómata."

Como tal, o clube da Luz diz ter sido "punido por factos pelos quais não tem qualquer culpa ou responsabilidade", razão pela qua não se conforma com com a decisão, pelo que "irá apresentar de imediato recurso para o Pleno do Conselho de Disciplina, o qual terá efeitos suspensivos".

Por sua vez, o Sp. Braga recebeu a notificação "com surpresa", acrescentando que "a pena aplicada é desconforme com os factos imputados", lembrando que "estão em causa 18 segundos" no reatar do encontro entre Sp. Braga e Sporting.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.