Barcelona, Girona e LaLiga já meteram os papéis para jogo nos EUA

Clubes e entidade organizadora da liga espanhola pediram autorização à federação para disputar o jogo da 21.ª jornada em solo norte-americano

Apesar dos protestos de adeptos e jogadores, o plano de expansão da Liga espanhola até ao outro lado do Atlântico segue em marcha e parece irreversível. Tanto o Barcelona como o Girona, em conjunto com a própria LaLiga, já deram entrada com os papéis a pedir autorização à Real Federação Espanhola (RFEF) para efetuar o duelo catalão da 21.ª jornada, a 26 de janeiro, no Hard Rock Stadium de Miami, nos EUA.

A carta foi assinada pelos presidentes dos respetivos clubes - Josep María Bartomeu, do Barça, e Delfí Geli, do Girona - e pelo presidente da Liga, Javier Tebas, o dirigente que anunciou, em agosto, o acordo com a empresa norte-americana Relevent para levar até aos Estados Unidos uma partida da liga espanhola por temporada, durante os próximos 15 anos.

Um dos aspetos mais polémicos desta exportação da Liga espanhola tem a ver com os direitos dos adeptos locais, que veem ser-lhes retirado (ou bastante dificultado) o acesso a uma das partidas da competição.

1500 viagens gratuitas

Por isso, o Girona já propôs aos seus associados um plano de compensações que inclui várias opções. Desde logo, 1500 viagens gratuitas (com fiança de 500 euros) para os adeptos que queiram ir ver o jogo a Miami, em charters que partem no próprio dia e regressam logo após a partida. Depois, há uma opção de a viagem de regresso ser só no dia seguinte, mediante o pagamento de 600 euros não reembolsáveis.

Para quem não quiser deslocar-se aos Estados Unidos, o Girona propões duas opções: por um lado, assistir ao Barcelona-Girona da primeira volta, para o qual o clube vai dispor de 500 entradas, e receber 20% de desconto no lugar anual de sócio: para quem não quiser também ir a Camp Nou, há um desconto de 40% no lugar anual.

A AFEPE, associação de adeptos de LaLiga, já deu o aval a este plano de compensação, segundo o jornal AS.

Recorde-se que a AFE, associação de futebolistas de Espanha, já manifestou o desacordo em relação ao plano de expansão da liga espanhola para território estrangeiro, sobretudo pelo facto de os jogadores não terem sido ouvidos no processo, e admitem partir para ações de protesto.

O 'risco' independentista

A escolha do duelo catalão para a partida a exportar, esta época, para os EUA, também está a levantar questões políticas entre os setores conservadores de Madrid, segundo alguns media espanhóis, temendo-se que o jogo em Miami acabe por ser um palco para manifestações dos pro-independentistas catalães nas bancadas do Hard Rock Stadium. O que seria uma forma irónica de expandir a marca Espanha, um dos propósitos comerciais anunciados pela Liga espanhola.

A escolha de Barcelona deveu-se à indisponibilidade demonstrada pelo Real Madrid (o outro gigante comercial de LaLiga), enquanto que a opção pelo Girona não é alheia ao facto de o clube ter uma forte participação do conglomerado City Football Group, com presença nos EUA (é o grupo que engloba, entre outros, o Manchester City e o New York City).

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João Gobern

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