As aves raras também estiveram com Portugal

Argentinos estiveram por entre a multidão de adeptos a sofrer também por Portugal. E até um uruguaio que ficou feliz com a vitória, mas gostava de ver a seleção portuguesa ir mais longe

Como se sente um adepto do Uruguai esmagado por torcedores vindos de todos os cantos de Lisboa e arredores? "Lindamente! - responde Marcel Pérez sem se atrapalhar - e melhor ainda se ganharmos." É preciso, antes de tudo, esclarecer que o otimismo deste uruguaio de Montevideu está no patamar mais alto muito antes das duas seleções entrarem em campo. Os momentos que antecedem um grande jogo como Portugal - Uruguai são sempre os que mais expectativa provocam. Nada estava ainda decidido, o desafio era uma folha em branco à espera de um final feliz para um dos lados. E o final feliz acabou por rebolar até à baliza do lado dele, fazendo deste uruguaio uma ave rara a festejar por entre dezenas de milhares de portugueses desencantados por a festa do Mundial 2018 acabar aqui.

As "ganas de ganar", contudo, não o impediram de guardar algum fair-play para os adversários. Afinal, ele é quase um deles. A trabalhar há um ano e meio em Lisboa, já colecionou amigos trajados com a camisola de Ronaldo e de Quaresma suficientes para torcer também pela seleção de Fernando Santos. Desde que o confronto não seja contra o país dele: "Obviamente!". Não foi o caso, "obviamente", e, por isso, durante a partida foi cada um por si. E ele sozinho a sonhar com a sua seleção nas finais deste campeonato.

E o que faz do lado oposto da Praça do Comércio um grupo de argentinos no meio de cachecóis e bandeiras de Portugal? A derrota com a França, pelos vistos, não lhes tirou a vontade de abandonar o Mundial "O jogo para nós acabou", diz desalentado Martín Camargo. E agora, só para não dar a viagem por perdida, continuam no Terreiro do Paço para apoiar a equipa portuguesa: "Estamos convosco na vitória ou na derrota se for este caso", diz o argentino.

Dá vontade de perguntar logo de seguida onde está a solidariedade para com um povo irmão. Pelos vistos, os dois países, unidos pelo rio Prata, partilham a mesma língua e o mesmo continente, mas andam sempre às turras. "As rivalidades com o Uruguai são ancestrais, não só no futebol, mas também noutros campeonatos, como cultura, gastronomia e as disputas comerciais", explica o argentino.

Esta noite, houve argentinos a passarem-se para o lado da seleção portuguesa. Nesta hora difícil, bem que sabe o apoio de todos e de mais alguns. Não é que seja o suficiente para tirar "este sabor amargo da derrota", diz António Filinto, que entretanto se juntou ao grupo de argentinos. Para o próximo Mundial, haverá "mais jogos para ganhar". Esperar quatro anos pela próxima oportunidade é tempo suficiente para "esquecer tudo e voltar a acreditar", remata o adepto de Portugal.

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