Eis Fernando Tavares Pereira, o segundo candidato às eleições do Sporting

Empresário garantiu que "todos os sócios do passado ou do presente são bem vindos a Alvalade"... incluindo Bruno de Carvalho. O que motivou aplausos entre os presentes

O empresário da região centro Fernando Tavares Pereira, que apresentou esta quarta-feira a sua candidatura ao Sporting, afirmou que quer um clube estável e "unido" e que respeite todos os sportinguistas, inclusive Bruno de Carvalho.

A candidatura, que tem como lema "Unidos Venceremos", foi esta quarta-feira apresentada em Coimbra, dando resposta a um momento em que o clube "precisa de muita estabilidade, precisa de muito apoio e de tranquilidade", afirmou Fernando Tavares Pereira, empresário natural de Tábua.

"A candidatura nasceu para que haja o rigor necessário no nosso grande clube, no nosso grande Sporting, para que todos juntos possamos fazer a casa que o Sporting merece", afirmou durante a apresentação, que decorreu numa unidade hoteleira.

Para Fernando Tavares Pereira, é necessário "respeitar o passado do Sporting" e "ter-se a hombridade de respeitar todos os presidentes que passaram pelo Sporting".

Questionado por um jornalista se inclui Bruno de Carvalho quando refere que iria contar com todos os sportinguistas, o candidato respondeu que "todos os sócios do passado ou do presente são bem vindos a Alvalade", resposta que motivou aplausos dos adeptos presentes na sala.

Sobre a atual comissão de gestão do clube e a escolha do presidente da SAD, Sousa Cintra, de contratar José Peseiro como treinador, Fernando Tavares Pereira afirmou que se "tem que dar o benefício a quem está neste momento a gerir o Sporting".

"Neste momento, temos que acreditar em quem lá está", acrescentou.

Relativamente à situação financeira do clube, Fernando Tavares Pereira explicou que opta por esperar pelos resultados da auditoria ao Sporting, referindo, no entanto, que pretende um clube "cumpridor e fiável".

Afirmando que é uma candidatura de fora para dentro, sublinhou que vai "tentar dar voz aos núcleos do Sporting" e "tentar fazer com que alguns núcleos possam integrar o Conselho Leonino do Sporting".

A candidatura de Fernando Tavares Pereira conta com o apoio do ex-presidente da Câmara de Loures, Carlos Teixeira, o ex-secretário de Estado Rui Barreiro, o antigo campeão mundial de kickboxing Fernando Fernandes e do antigo ciclista Marco Chagas.

No entanto, a sua lista não terá comissão de honra, porque o Sporting "é de todos, é dos ricos, é dos pobres, sejam pastores de ovelhas, doutores ou engenheiros".

Sobre o facto de ser uma candidatura fora de Lisboa, Fernando Tavares Pereira sublinhou que a candidatura é transversal a todo o país, destacando ainda o sacrifício maior dos sportinguistas fora da capital, que têm de fazer centenas de quilómetros para ver um jogo do clube.

Durante a apresentação, o candidato referiu que vai ter na próxima semana "todas as pessoas necessárias para que a lista esteja completa".

O empresário Pedro Madeira Rodrigues vai concorrer novamente à presidência do Sporting, sendo o terceiro a anunciar a intenção de se candidatar ao ato eleitoral agendado para 08 de setembro.

Fernando Tavares Pereira é o segundo nome, depois de Frederico Varandas, a oficializar a candidatura à presidência do Sporting. Nesta quinta-feira é a vez de Pedro Madeira Rodrigues.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.