Vuelta: Valverde ganha no Camiñito del Rey e vermelha passa para Kwiatkowski

O ciclista espanhol da Movistar foi este domingo o mais forte no sprint em subida da etapa de Camiñito del Rey, com a camisola vermelha da Volta a Espanha a passar para o polaco da Sky.

David Pereira
© EPA/MANUEL BRUQUE

A segunda etapa tinha o aliciante de terminar com uma subida de terceira categoria, dificuldade muito bem aproveitada pelo veterano (38 anos) ciclista da Movistar, que nos últimos metros se desembaraçou de Kwiatkowski, segundo na meta e novo líder da geral.

Entre os derrotados do dia o nome mais sonante é o de Vicenzo Nibali, o líder da Bahrain Merida, que perdeu 4.04 minutos na tirada, para ser 81.º no dia, mas também já está KO o australiano Riche Porte (BMC), distanciado 13.31.

Rohan Dennis (Lotto Soudal), da Austrália, fora sábado o primeiro líder da Vuelta, mas este domingo acabou por também ser uma das vítimas do forte calor e descolou a uma vintena de quilómetros do fim, para concluir a mais de dez minutos de Valverde.

Os 163,5 quilómetros de Marbella a Camiñito del Rey acabaram de facto por fazer mossa no pelotão, por causa do calor e de alguma montanha. Os ciclistas chegaram à meta em grupos médios ou mesmo pequenos, como foi o caso dos dois melhores portugueses do dia, Tiago Machado (Katusha) e Nelson Oliveira (Movistar), 72.º e 73º, a 3.13 minutos de Valverde.

Os outros dois lusos perderam mais tempo: José Gonçalves (Katusha) entrou em 102.º, a 6.31, e José Mendes (Burgos BH) em 146.º, a 13.31, integrado no último e mais largo pelotão.

Já se sabia que a etapa ia ser seletiva e isso bem se comprovou no final, com quase todos os favoritos nos lugares da frente - notáveis exceções de Nibali e Porte - para a abordagem da subida final.

O belga Laurens de Plus (Quickstep) atacou resoluto no último quilómetro, só que acabou por ser impotente face à reação de Kwiatkowski e ao contra-ataque, mais forte ainda, de Valverde, vencedor em 4:13.01, à média de 38,8 quilómetros por hora.

Richie Porte, desistente no Tour, explicou agora que teve uma gastroenterite dias antes do arranque da Vuelta, pelo que a corrida para ele só conta na terceira semana, em princípio. Até lá, é aguentar e talvez dar uma ajuda a Nicolas Roche, o BMC mais bem classificado.

Quanto a Nibali, mostrou fraquezas na subida do Alto de Guadalhorce, a oito quilómetros do fim, nada abonatórias para quem já venceu as três grandes Voltas.

Em grande esteve o comboio da Sky, mesmo sem os seus nomes maiores, com Kwiatkowski, o colombiano Sergio Henao e o chefe de fila David de La Cruz a demolirem uma etapa que poucos esperariam tão dura.

Na geral, Kwiatkowski comanda com 14 segundos sobre Valverde e 25 sobre o holandês Wilco Kedermans, da Sunweb.

Nelson Oliveira é o melhor português, em 68.º (a 3.30). Seguem-se Tiago Machado em 74.º (a 4.00), José Gonçalves em 108.º (a 7.49) e José Mendes em 159.º (a 14.15).

Segunda-feira será a primeira ocasião para os verdadeiros sprinters brilharem, nos 178,2 quilómetros sem dificuldades entre Mijas e Alhaurin, com exceção de uma subida de primeira logo de início.