Real Madrid volta a dominar seleção espanhola. E os resultados estão à vista

A Espanha de Luis Enrique goleou (6-0) a vice-campeã mundial Croácia com seis jogadores do Real Madrid a titulares. Longe vão os tempos em que o Barcelona era a equipa mais representada

Nuno Fernandes
© REUTERS/Heino Kalis

Esta Espanha mete medo. Os dois primeiros jogos sob a orientação de Luis Enrique terminaram com duas vitórias sobre seleções poderosas e exibições de luxo - triunfo por 2-1 diante da Inglaterra num particular e uma goleada das antigas, na terça-feira, por 6-0, frente à vice-campeã mundial Croácia, na Liga das Nações.

Mas afinal o que mudou nesta Espanha? Logo à partida a atitude e um dado muito curioso: diante da Croácia estiveram seis jogadores do Real Madrid no onze titular (Carvajal, Sergio Ramos, Nacho Isco, Marco Asensio e o estreante Dani Ceballos), algo que já não acontecia há 16 anos. O único representante do Barcelona foi o médio Sergio Busquets - saiu aos 59' e deixou durante cerca de meia hora a Roja sem jogadores do Barcelona.

A influência do Barcelona na seleção espanhola tem vindo a desaparecer ano após ano e nota-se mais agora na era Luis Enrique com as saídas de cena de Iniesta e Piqué, que decidiram deixar de representar a equipa. A Espanha vive assim uma inversão a este nível, quando comparada com a seleção que se sagrou campeã da Europa (2008 e 2012) e mundial (2010).

Na final do Mundial da África do Sul, em 2010, a seleção que na altura era orientada por Del Bosque, curiosamente um símbolo do Real Madrid, tinha uma forte presença de jogadores do Barcelona - Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta, Pedro e David Villa. Durante o ano de 2013 o domínio do clube catalão atingiu recordes, com sete jogadores do Barça a serem titulares num particular diante do Uruguai (chegaram a ser nove jogadores utilizados durante o jogo).

Nesses anos dourados da seleção espanhola, a armada do Real Madrid resumia-se basicamente à presença de três jogadores - Iker Casillas, Sergio Ramos e Xabi Alonso. Muito por culpa da política da equipa merengue, que pouca atenção dava à cantera preferindo contratar craques estrangeiros.

De então para cá esta tendência foi-se alterando, fruto também da aposta do Real Madrid em jogadores da casa. Isco, Carvajal, Nacho, Asensio e Lucas Vázquez começaram a ser chamados com regularidade e no Mundial da Rússia, que começou sob a orientação de Julen Lopetegui, os merengues tinham já seis jogadores entre os 23 convocados.

Na primeira convocatória de Luis Enrique, elaborada a 31 de agosto, a diferença ficou bem acentuada: seis jogadores do Real Madrid (Carvajal, Sergio Ramos, Nacho, Ceballos, isco e Asensio) e apenas dois do Barcelona (Busquets e Sergi Roberto). E todos os jogadores dos merengues foram titulares diante da Croácia.

A última vez que seis jogadores do Real Madrid tinham sido titulares ao mesmo tempo remonta ao ano de 2002, num jogo diante da Irlanda do Norte, a contar para o apuramento do Euro 2004. Nesse dia, o selecionador Del Bosque colocou em campo Iker Casillas, Michel Salgado, Iván Helguera, Raúl Bravo, Guti e Raúl, numa partida que a Espanha venceu por 3-0.

Luis Enrique, que enquanto jogador representou o Real Madrid e o Barcelona, mas que tem um passado muito mais ligado ao clube catalão, foi questionado sobre esta predominância de jogadores merengues na seleção após o jogo com a Croácia. Eis a resposta. "Nem sabia, nem me interessa. São jogadores da seleção espanhola, nada mais. Aqui não são de uma ou outra equipa. A base é o Real Madrid e parece-me bem. Só vejo uma camisola: a da seleção espanhola."