Portugal vence Namíbia e dá brilho ao bronze no Mundial B de sub-20

Com uma exibição brilhante e que por vezes roçou a perfeição, os Lobitos venceram este domingo, em Bucareste, a Namíbia, por 67-36, no jogo de atribuição dos 3.º e 4.º lugares do Junior World Trophy, marcando um total de 11 ensaios.

António Henriques

Um ano depois de ter sido segunda classificada, em Montevideu, após derrota na final diante do Japão (14-3) numa partida interrompida a 12 minutos do fim devido às más condições climatéricas e ao péssimo estado do terreno de jogo que colocava em perigo a integridade física dos atletas, a seleção nacional sub-20 volta a sentar-se no pódio, desta feita num honroso 3.º lugar.

E isto depois de realizar uma exibição portentosa, vulgarizando o poderoso quinze da Namíbia, que até hoje vinha fazendo um excelente torneio - e que, não fossem os dois ensaios obtidos nos dois derradeiros minutos de jogo, tinha sofrido um desaire pouco menos que humilhante. Não esquecer que estamos a falar da seleção júnior de um país que se qualificou, há apenas duas semanas, para o seu sexto mundial consecutivo, em representação do continente africano!

E depois de nova plena demonstração de categoria tal como em 2017 em Bucareste (título europeu) e Montevideu (vices-mundiais B), e já este ano em Coimbra (bisando o título europeu diante da Espanha), está mais que na altura de ser dada carta de alforria para outros voos ao treinador Luís Pissarra e à grande maioria destes fantásticos jovens jogadores. Assim eles queiram... e possam.

Apesar dos quatro jogos com grande intensidade realizados em 12 dias - uma completa novidade para a grande maioria dos nosso atletas - o Lobitos entraram frescos e explosivos. Em grande estilo, a todo o gás, aos 10" já tinham conseguido um par de ensaios de autoria do n.º 15 Manuel Cardoso Pinto, hoje de novo titular. Primeiro concluindo uma sequência de mais de 20 fases na área de 22 africana (!) e depois numa falta na linha de meio-campo, inteligentemente jogada de forma rápida pelo formação Martim Cardoso que surpreendeu tudo e todos - exceto o defesa português, seu colega em Agronomia, que recebeu a oval... e fez o resto, i.e. passar por meia equipa namibiana num slalom de 50 metros, coisa pouca!

Notáveis a disputar as bolas no solo, os dinâmicos avançados portugueses iam conquistando faltas adversárias, inclinavam o jogo para a área rival e aos 19" Nuno Mascarenhas, a curta distância, mergulhava para o terceiro da tarde. Era o 15-0 (Lima falhou as três conversões...) nos melhores 20 minutos a que talvez tenhamos assistido de um quinze envergando a camisola portuguesa de há muitos anos a esta parte!
Na resposta o 2.ª linha Breytenbach faria o ensaio inaugural da Namíbia, na primeira vez que pisaram os 22 nacionais. Mas os derradeiros 10 minutos da 1.ª parte seriam marcados por novo vendaval português com o entrado ponta Manuel Marta, o n.º 8 Duarte Costa Campos e o capitão João Fezas Vital a marcarem para impressionantes 36-7 ao intervalo, dando sequência a um râguebi fluido, intenso e incrivelmente eficaz. Só não dava para piscar os olhos, pois podia-se perder um novo ensaio, ou abrir a boca de espanto, pois estes Lobitos de Luís Pissarra já nos habituaram a outras maravilhas como a que se estava a assistir na capital romena.

Com a seleção da Namíbia a reentrar de cabeça baixa e destroçada (não estava claramente à espera desta exibição portuguesa), nos primeiros 10 minutos do 2.º tempo Portugal faria de rajada mais dois ensaios, por intermédio do ponta Duarte Pinto Gonçalves (finalizando um lance iniciado numa soberba arrancada em diagonal de 50 metros do outro ponta, Manuel Marta) e do formação Martim Cardoso, para cada vez mais longínquos 48-7.

E o melhor cumprimento que os namibianos fariam à nossa seleção seria mesmo aos 54" quando, a perder por 41pontos, chutaram aos postes uma penalidade frontal a 40 metros, em vez de tentarem chutar à touche para um alinhamento e eventual ensaio. Do mal o menos, converteram...
Pouco depois nova impressionante mêlée nacional levando tudo à frente permitiria a Duarte Costa Campos bisar (55-10). E finalmente depois de atingida a hora de jogo, os Lobitos levantavam o pé do acelerador e desfrutavam do momento perante os apoiantes que, de fora, iam pedindo "só mais um".

A Namíbia aproveitou para marcar por duas vezes (55-24). Mas, a equipa nacional sentiu que não podia deixar o adversário aproximar-se do resultado e levantar-se da campa onde já estava meio enterrado, e o decidido Nuno Mascarenhas (já internacional sénior é o melhor talonador que alinha em Portugal, sem dúvida) e Manuel Peleteiro (ganhando alinhamento adversário nos seus 5 metros!) completariam os 11 ensaios portugueses, para astronómicos 67-24.

Já em modo "quando é que isto acaba, que quero ir levantar a minha medalha de bronze" Portugal ainda consentiria dois ensaios africanos que reduziram o défice para uns ainda assim distantes e esclarecedores 67-36, num festival de râguebi de ataque (e falhas defensivas) que incluiu 17 ensaios!

Mais uma vez estes Lobitos nos fizeram encher de orgulho e para uma participação que, tal como no ano passado, ficou muito longe de ser a ideal, ou mesmo a minimamente exigível para uma equipa - amadora é certo, mas que representa as cores nacionais (não foi possível efetuar qualquer jogo de preparação, por exemplo...) - pode-se dizer que pedir mais que este magnífico 3.º lugar numa prova que incluía Fiji e Samoa seria irreal e pedir... a lua. Deram-nos um sublime quarto crescente.