Portugal derrota Uruguai e vai discutir bronze no Mundial B de sub-20

Os Lobitos venceram esta quarta-feira, em Bucareste, o Uruguai, por 26-15 e apuraram-se para disputar, no domingo, o jogo de atribuição dos 3.º e 4.º lugares, do World Trophy sub-20, diante da forte seleção da Namíbia

António Henriques

Com as duas seleções já afastadas do 1.º lugar no grupo B - ganho confortavelmente pelas Fiji só com vitórias, indo agora discutir a promoção ao Mundial A do próximo ano numa final exclusiva do Pacífico Sul com Samoa - o encontro ente Lobitos e Los Teritos colocava frente a frente dois quinzes muito iguais, pelo menos tendo em vista os resultados conseguidos até hoje - ambos com triunfos curtos frente ao Canadá e derrotas pesadas diante das poderosas Fiji - com os uruguaios a marcarem mais ensaios (9 contra 5 dos portugueses), o que lhes valeu estarem com mais 2 pontos na classificação graças a um ponto de bónus atacante obtido em cada partida.

Los Teritos até abriram melhor o jogo e aos 2" coloriam o marcador numa penalidade do n.º 15 Iruleguy Gonzalez (0-3). Mas a partir daí os rapazes de Luís Pissarra, com excelente atitude, empurraram o adversário para a sua área - e de lá não sairiam sem pontos, o que só aconteceria aos 18" num ensaio do defesa Gabriel Pop (Cascais) concluindo lance iniciado numa mêlée a 5 metros ganha de forma clara, que punha Portugal na frente por 5-3.

Mas convém assinalar que durante mais de um quarto de hora, o domínio foi tão avassalador e a equipa portuguesa tão superior, que se torna difícil encontrar explicações para um resultado tão equilibrado a meio da 1.ª parte. Mas se mencionarmos cinco-penalidades-cinco que Portugal dispôs (algumas conquistadas nas mêlées onde o pack nacional se esmerou...), todas perto da área de 22 contrária, das quais duas tentadas de fácil execução e que seriam desperdiçadas pelo abertura João Maria Lima, talvez então se comece a perceber...

E aqui poderá perguntar-se: terá mesmo João Lima características e capacidade para ser chutador face ao que lhe vimos hoje e também durante o campeonato passado ao serviço de Agronomia? E se as tem, não precisará de treinar mais e mais? Pena foi que Jerónimo Portela se tivesse lesionado, pois pelo que fez nos jogos anteriores, estaríamos bem distanciados já ao intervalo...

Mesmo a jogar com mais um homem (amarelo ao 15 uruguaio) os Lobitos iam perdendo alinhamentos sucessivos e, verdinhos como o seu equipamento (esta equipa tem claramente menos maturidade e experiência que a versão 2017), deixavam-se ir no jogo do Uruguai, que pretendia vingar-se da derrota sofrida há um ano, no seu Charrúa de Montevideu (20-18), no caminho até à final dos sub-20 portugueses.

E as 29", o reentrado Gonzalez, fresco depois de 10 minutos no "sin- bin", passaria os sul-americanos para a frente num ensaio junto à bandeirola num contra-ataque mal defendido pelas nossas cores, para 8-5 no descanso.

Mas Portugal veio dos balneários decidido a mostrar que é melhor equipa. Sem tergiversações, acampou no meio-campo contrário e aos 48" (a jogar com 14 por amarelo ao pilar David Costa) passaria de novo para a liderança numa sucessão de pick & go"s em cima da área de ensaio uruguaia com o pilarão José Sarmento a marcar (12-8, gentileza do primeiro pontapé convertido por Lima).

Aí sim Los Teritos sentiram que tinham que fazer mais do que até aí para vencer a partida e durante largos minutos acamparam na área nacional, com os jogadores de Luís Pissarra a mostrarem a sua reconhecida coragem e "alma até Almeida", pois de curta distância e no corpo-a-corpo são muito difíceis de ultrapassar e hábeis a conquistar "turn overs". Resultados desse intenso domínio adversário? Uma mão cheia de... nada. Brilhante.

E sacudindo a pressão, ainda tiveram frieza para fabricar um venenoso contra-ataque de 80 metros conduzido por Pop e Diogo Cardoso obrigando a novo cartão amarelo adversário e daí, um bem concedido ensaio de penalidade por sucessivas faltas uruguaias na mêlée (19-8), onde os Lobitos estiveram irrepreensíveis.

Dois minutos depois viria o derradeiro prego no caixão sul-americano quando uma bela jogada coletiva com inúmeras trocas de passes e de pés (e de olhos e rins dos uruguaios, já a dizerem mal da sua sorte...) seria concluída em grande estilo pelo recém-entrado Manuel Marta (Belenenses), para 26-8.

Nos últimos 20 minutos Portugal soube sofrer, resistindo bem à natural reação adversária, feita mais com o coração do que com a cabeça. E apesar do ensaio de Ardao e de amarelos a Nuno Mascarenhas e Manuel Cardoso Pinto (colocando a equipa alguns instantes a jogar com 13!), a vitória já não fugiria aos Lobitos, por 26-15.

Para se perceber o espírito conquistador desta jovem equipa muito bem liderada pelo guerreiro João Fezas Vital (Direito), quando nos instantes finais do jogo se pedia, de fora, para a equipa segurar e garantir a oval, o centro Rodrigo Marta (grande jogador!), pois decidia disparar por uma nesga aberta na defesa contraria para tentar algo mais e ganhar muitos metros que se revelariam preciosos. Chapeau!

Portugal defronta agora no domingo a muito forte seleção da Namíbia (2.ª classificada no grupo A depois de ter sido batida hoje por Samoa, por 41-28), no encontro que irá definir o 3.º lugar neste Mundial B.