Maradona: treinador no México e presidente na Bielorrússia

Antigo astro argentino já deu o primeiro treino no Dorados de Sinaloa, da segunda divisão mexicana, quase dois meses depois de ter sido recebido em festa como novo presidente do Dínamo de Brest

Rui Frias
Maradona regressa ao México, onde foi campeão mundial em 1986, agora como treinador do Dorados de Sinaloa | foto REUTERS/Henry Romero
Maradona, novo treinador do Dorados de Sinaloa | foto REUTERS/Henry Romero
Maradona, novo treinador do Dorados de Sinaloa | foto REUTERS/Henry Romero
Maradona, novo treinador do Dorados de Sinaloa | foto REUTERS/Henry Romero
Maradona, novo treinador do Dorados de Sinaloa | foto REUTERS/Henry Romero
Maradona, novo treinador do Dorados de Sinaloa | foto REUTERS/Henry Romero

'D10S' é um popular tetragrama dedicado a Maradona, que aproveita a inicial de Diego e o número que usava na camisola para o catalogar como uma divindade futebolística. Diós. D10S.

Um deus da bola, que apura agora também o dom da omnipresença. Em Sinaloa, estado mexicano famoso por abrigar um dos mais poderosos cartéis de droga americanos, Diego Armando Maradona é agora o novo motivo de atração mediática. O astro argentino deu na segunda-feira o primeiro treino como novo treinador do Dorados de Sinaloa, clube da segunda divisão que tenta a subida à elite do futebol mexicano, naquele que é a sua terceira aventura nos bancos desde que deixou o comando da seleção argentina em 2010 - a última experiência tinha sido no Al-Fujairah, dos Emiratos Árabes Unidos, de onde saiu em março passado.

Mas o mais insólito nesta aventura é que Maradona é também, por estes dias, presidente do clube bielorrusso Dínamo de Brest, a 10 mil quilómetros de distância, onde foi recebido em festa nem há dois meses, a meio de julho, após o término do Mundial de futebol - onde Maradona, lá está, foi também uma figura em destaque nas bancadas.

A apresentação de Maradona na Bielorrússia foi digna de feriado carnavalesco, com cheerleaders, desfile em carro aberto, estádio lotado e anúncio de direito a mansão luxuosa para a estadia em Brest, onde, alegadamente, Diego Maradona iria ser o presidente do Conselho Estratégico do Dínamo para o futebol durante os próximos três anos.

Na altura, Maradona afirmou mesmo ter a certeza de que iria "viver tranquilamente aqui na Bielorrússia". Isso foi a 16 de julho. Desde então, o argentino não voltou a ser visto em Brest e foi esta semana notícia do outro lado do mundo, anunciado como o novo treinador do Dorados de Sinaloa, onde também foi recebido em festa por milhares de adeptos do "Gran Pez" (Grande Peixe, apelido do clube).

"Bem-vindo D10egol. Confiamos em ti, Diego. Aqui não criticamos, apenas admiramos", dizia um cartaz exibido por adeptos mexicanos no primeiro treino dado pelo argentino, que conquistou o título mundial pela Argentina precisamente no México, em 1986.

Em conferência de imprensa, Maradona garantiu que chega com objetivos sérios a Sinaloa. "Não viemos de férias. Viemos trabalhar e podemos garantir a quem está connosco que vamos fazer um bom trabalho", disse, prometendo ainda um futebol de ataque: "Não gosto de defender, vamos ser uma equipa ofensiva."

A apresentação de Maradona no México fez com que, a leste, o Dínamo de Brest tivesse necessidade de dar explicações aos adeptos. O que fez num comunicado, esclarecendo o papel de Maradona no clube bielorrusso. "As suas principais funções são a divulgação do futebol bielorrusso, o desenvolvimento de infraestruturas, participação em operações de transferências, atração de patrocinadores e desenvolvimento do futebol infantil e juvenil. Assim, Diego Maradona continua a ocupar o cargo de Presidente do Conselho, acumulando-o com o cargo de diretor técnico do clube mexicano", informou o Dínamo de Brest.