LoBue ganha por menos de um ponto e Iffland é mesmo a rainha do Cliff Diving

Competição masculina foi muito equilibrada, com saltos de elevada qualidade na fase final. Nas senhoras, a bicampeã australiana não deu hipóteses

Elisabete Silva
O salto da australiana Rhiannan Iffland, de 26 anos. Dois anos no circuito, dois campeonatos. | foto Dean Treml/Red Bull Content Pool
 | foto Dean Treml/Red Bull Content Pool
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Era o último salto. David Colturi tinha feito um perto da perfeição e poderia muito bem ganhar. No entanto, sentado no barco, gritou para o alto do ilhéu: "Vamos Steven!" Um incentivo para o único atleta que lhe poderia tirar a vitória. E assim foi. Steven LoBue voltou a vencer a etapa de Cliff Diving nos Açores, quatro anos depois, e são duas vitórias consecutivas em 2018, depois de conquistar Bilbau. Também Rhiannan Iffland é uma repetente depois do triunfo em 2016, mas se nos homens a diferença foi de menos um ponto, já a australiana dominou a etapa açoriana do princípio ao fim.

A atitude de Colturi não se resume a um apoio entre dois atletas americanos. As rivalidades existem, afinal está um título em disputa. A união é grande até pela perigosidade que rodeia o Cliff Diving, ainda mais quando se está perante a etapa mais desafiante da competição, com alguns dos saltos a serem feitos diretamente da rocha. No final, Colturi segurou orgulhosamente o troféu de segundo lugar: "Este é um local tão desafiante que quando estamos no pódio é excelente."

Já Steven LoBue (33 anos) não parava de sorrir, até que lhe perguntaram se era desta que poderia vencer o campeonato. Com duas vitórias e um sexto lugar os Estados Unidos, o americano lidera com 470 pontos, mais 110 que o checo Michal Navratil, que foi quarto nos Açores. "Este ano estou com uma mentalidade diferente. É um momento de cada vez. Um mergulho de cada vez. Agora o que que quero mesmo é voltar para a minha família", disse, não querendo pensar muito no futuro. No circuito desde 2011, os melhores resultados de LoBue foram dos terceiros lugares em 2012 e 2014.

A história de Rhiannan Iffland (26 anos) é bem diferente. Dois anos no circuito, dois campeonatos. Chegou para ser a rainha do Cliff Diving e não está disposta a entregar o trono. Começou mal nos Estados Unidos, considerando que está habituada a lutar por vitórias. Mas o quarto lugar não a desanimou e nos Açores foi superior desde o primeiro salto.

Em segundo ficou a mexicana Adriana Jimenez, vencedora em 2017 no ilhéu e que ganhou a primeira etapa nos Estados Unidos. Ainda mantém a liderança do ranking, mas apenas por 50 pontos. A competição feminina tem menos duas etapas do que a duas homens, sendo que esta foi a segunda (não estiveram em Bilbau).

No ilhéu de Vila Franca do Campo, Iffland terminou com 324,95 pontos, com Jimenez a somar 294,30. A fechar o pódio ficou a canadiana Lysanne Richard, com 285,80. Nos homens as diferenças foram bem menores. LoBue somou 405,35 contra os 404,80 de Colturi. Gary Hunt, seis vezes campeão e com três vitórias nos Açores ficou em terceiro, com 400,20 pontos.

LoBue podia estar com vontade de ir para casa e ver a família, mas foi dos mais efusivos quando a secretária geral da Energia, Ambiente e Turismo do Governo Regional dos Açores, Marta Guerreiro, anunciou que em 2019 Vila Franca do Campo terá as portas abertas para receber pela oitava vez consecutiva o Red Bull Cliff Diving. "Estou muito contente por irmos voltar. Todos os anos este é um local que nos leva a desafiar os limites", salientou LoBue. Ainda antes da confirmação, Iffland tinha dito que esperava voltar. "Sinceramente, não quero ir embora", disse.

Para LoBue, ganhar nos Açores só é possível com quatro bons saltos. No primeiro dia, os 23 atletas saltaram diretamente da rocha (eram 24, mas Orlando Duque lesionou-se ainda antes da competição começar). No segundo passaram para as plataformas colocadas a 21 metros para as mulheres e 27 para os homens. Mas é aquele salto da rocha que atrai todos, mesmo que só para lá chegar seja um desafio. Primeira a subida e depois um pouco de rappel até ao local do salto, que não dá margem para grandes movimentações. "É sempre desafiante", salientou Iffland.

Para o ano há mais nos Açores, mas o campeonato prossegue em Sisikon, na Suíça, a 5 de Agosto. A 25 será a vez da Dinamarca receber o Cliff Diving, em Copenhaga, mas só para os homens. Depois, para todos, haverá uma viagem até Mostar, na Bósnia e Herzegovina (8 de Setembro) e, para terminar, Polignano a Mare, em Itália (23 de Setembro).

Historial da etapa nos Açores

2018: Steven LoBue (EUA)/Rhiannan Iffland (Aus)

2017: Orlando Duque (Col)/Adriana Jimenez (Mex)

2016: Gary Hunt (GB)/Rhiannan Iffland (Aus)

2015: Gary Hunt (GB)/Cesilie Carlton (EUA)

2014: Steven LoBue (EUA)

2013: Gary Hunt (GB)

2012: Artem Silchenko (Rus)