Faltaram cinco centímetros a Arnaudov e um centésimo a Yazaldes

Tsanko Arnaudov foi nono na final do lançamento do peso nos Campeonatos da Europa de atletismo, enquanto Yazaldes Nascimento ficou à porta da final dos 100 metros

Rui Frias
Tsanko lança o peso no Estádio Olímpico de Berlim© REUTERS/Kai Pfaffenbach

No final dos três lançamentos iniciais para os 12 finalistas do peso, o português Tsanko Arnaudov foi nono, com a marca de 20,33 metros, conseguida ao terceiro ensaio (tinha feito antes 19,93 m e 20,05), e ficou fora dos três últimos lançamentos, numa prova de grande nível, com seis atletas acima de 21 metros, os polacos Michal Haratyk (21,72 metros), que venceu a Taça da Europa de lançamentos, este inverno, em Leiria, e Konrad Bukowiecki (21,66) impuseram-se ao alemão David Storl (21,41).

"Os dois meses em que estive engessado a lançar sentado, para não perder tudo, fizeram toda a diferença. Aquele último lançamento parecia-me ter sido suficiente para garantir os três últimos lançamentos, onde poderia estar melhor, mas é assim. Fiquei a cinco centímetros", lamentou o atleta, acrescentando: "Esta foi uma das melhores finais que vi, com seis atletas acima de 21 metros. Há dois anos, a minha medalha foi conquistada com 20,56, agora nem dava para ser oitavo."

Nos 100 metros masculinos, Yazaldes Nascimento, colocado na segunda meia-final, foi o melhor dos portugueses, com um terceiro lugar em 10,22 segundos, a sua melhor marca da temporada, e o primeiro dos não apurados para a final, para a qual lhe faltou ser apenas um centésimo mais rápido - fez o nono tempo ex-aequo com o suíço Alex Wilson, ambos com 10,22 segundos, tendo o último apurado, o turco Emre Zafer Barnes, seguido em frente com 10,21.

"É frustrante terminar assim. Sinto que podia estar na final. Nos últimos 20 metros senti uma picada no posterior e contraí-me um pouco", disse o atleta do Sporting, deixando ainda um desabafo: "Pensaram e insinuaram que estaria acabado para o atletismo, mas este resultado mostra que com uma aposta segura e quando acreditam em nós é sempre possível fazer melhor."

Antes, na primeira das meias-finais, Carlos Nascimento ficou-se pelo sexto lugar, com a marca de 10,31 segundos. "Não foi uma prova de que gostasse. Queria fazer melhor, mas não consegui. O lado positivo é que voltei a correr abaixo do meu anterior recorde pessoal, o que denota alguma consistência, mas tenho que limar algumas arestas", disse no final.

Na última das meias-finais, José Lopes foi sexto com 10,40 segundos. "A mística deste estádio pesou na minha inexperiência. Não consegui correr mais descontraído. Em termos de época, já estar aqui foi superar largamente os meus objectivos iniciais", referiu o benfiquista.

Nas meias-finais, o francês Jimmy Vicaud correu em 9,97 segundos, batendo o recorde dos campeonatos (9,99 segundos), que pertencia a Francis Obikwelu desde 2006. Contudo o francês lesionou-se e já não se apresentou na emocionante final, que o britânico Zarnel Hughes venceu com a marca de 9,95 segundos, batendo o recorde dos campeonatos antes estabelecido por Vicaud. Na segunda posição ficou outro britânico, Reece Prescod (9,96 s) e o terceiro foi o turco Jak Ali Harvey (10,01), um atleta de origem jamaicana, que impediu Chijindu Ujah (10,06) de fechar o pódio só com britânicos.

Na prova feminina, Lorene Bazolo foi oitava na sua série, com 11,51 segundos. "Até estava a sentir-me bem, tentei fazer o meu melhor, mas não consegui", referiu a sportinguista.

Na final das mulheres, grande resultado da britânicaDina Asher Smith, que igualou a melhor marca mundial do ano com 10,85 segundos, à frente da alemã Gina Lückenkemper, que correu em 10,98 segundos, igualando o recorde da Europa sub23. A holandesa Dafne Schipers (10,99s), a grande favorita, foi terceira.

Por fim, a pior atuação portuguesa do dia coube a Samuel Barata, que desistiu na prova dos 10.000 metros quando estavam cumpridos 7.500 metros. "Senti muito calor por volta dos cinco quilómetros, tentei aguentar, mas perdi muita energia. Desisti, porque um resultado aceitável já era inalcançável", disse o benfiquista no final da prova, que conheceu um final fantástico, ao 'sprint', com triunfo do francês Morhad Amdouni (28.11,12 minutos).