Casillas, o treinador

Casillas diz que seria bom poder transmitir todo o conhecimento acumulado como treinador, talvez "exigente, muito exigente" como diz de Sérgio Conceição, quando abandonar a carreira, que de momento prossegue no FC Porto

António Pedro Pereira
Casillas acena a uma nova carreira no futebol: "Não vou jogar até aos 47 anos"© Fábio Poço/Global Imagens

"Sérgio é um treinador exigente, muito exigente", começa por dizer Iker Casillas, em entrevista publicada este sábado pelo Expresso, sobre a relação com o treinador Sérgio Conceição. "Quer o melhor dos seus jogadores, quer que deem 100 por cento, ou melhor, 120 por cento, porque estamos num clube que exige", analisou.

"As 50 mil pessoas que enchem o estádio exigem que o clube seja campeão, então, a cadeia é simples: os adeptos exigem ao presidente, ele coloca um treinador, exige-lhe o melhor para as pessoas, e o treinador, por sua vez, exige aos jogadores que deem 120 por cento no campo. As coisas podem sair mal ou bem, mas tens o estímulo de tentar fazer as coisas como ele quer. Parece-me bem", avalia o guarda-redes.

"Sérgio Conceição, a mim, que tenho 37 anos, beneficiou-me. (...) Exige que tenhas um peso e uma alimentação, porque controlo mais o meu físico", agradece o espanhol", confessa.

Consciente de que aos 37 anos não vai durar eternamente como jogador, Iker já pensa em ser treinador. "Treinador de guarda-redes? Não. Se queres ser treinador, não deves treinar só guarda-redes, tens de passar o teu conhecimento a todos os jogadores. Tive a sorte de ter já passado por muito e seria bom transmití-lo", admitiu.

"Sei que não tenho mais 10 anos pela frente, acho que não posso jogar até aos 47. Aliás, quando tinha 17 achava que ia jogar até aos 27, depois até aos 32. Agora é aproveitar", observou.

O guarda-redes ex-Real Madrid também abordou a relação tensa com José Mourinho, que o orientou no Bérnabeu. "Não foi a pior altura da minha carreira. Os momentos em que não conquistas um troféu, uma liga ou uma Champions, doem muito mais. Doem-te a ti e ao adepto. As polémicas que tive com Mourinho já estão saldadas. É um tema que, depois de cinco ou seis anos... não deves falar mais sobre isso, porque já é absurdo. Com ele conquistei uma liga, uma Taça do Rei ao Barcelona, uma Supertaça de Espanha. Há que ficar com as coisas boas, porque as más não servem a ninguém", encerrou.