Liga, sindicato, árbitros e treinadores discutiram violência no futebol português

Os diversos agentes do futebol identificaram e analisaram esta terça-feira, em reunião e debate realizados na sede do Sindicato dos Jogadores, em Lisboa, alguns dos principais motivos que alimentam a violência no desporto e no futebol, em particular.

Nuno Fernandes
© RODRIGO ANTUNES / LUSA

O encontro juntou à mesma mesa um painel formado por Pedro Proença, presidente da Liga portuguesa, Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa dos Árbitros de Futebol (APAF), e José Pereira, líder da Associação de Treinadores.

"Quanto a mim, este exacerbar e aumento da linguagem e da violência no futebol prende-se com um fator essencial e que tem a ver com uma tendência muito latina de enfatizar os aspetos negativos, bem mais do que os positivos", constatou o presidente da Liga de clubes.

Proença observou que o permanente aumento do ruído mediático em torno do futebol tem contribuído decisivamente para que as polémicas se instalem e "influenciem decisivamente o comportamento das pessoas".

Um clima negativo que se tem acentuado nos últimos anos e que já levou o próprio Governo a criar "uma agência própria que possa analisar com maior rapidez os diversos conflitos que vão surgindo durante a época desportiva", focou Joaquim Evangelista.

Para o líder do sindicato, a alteração da regulamentação, através do aumento das sanções pecuniárias e disciplinares, tem sido insuficiente para debelar e controlar a violência crescente no diálogo futebolístico.

"Esta questão também tem muito a ver com a grande mediatização existente no futebol português, com as primeiras páginas dos jornais, o impacto gerado pelas programas televisivos, alguns dos quais apenas se limitam a fomentar polémicas devido às audiências televisivas", adiantou Joaquim Evangelista.

Luciano Gonçalves tem a consciência de que as constantes polémicas" também afetam o trabalho dos árbitros dentro do relvado, pois não conseguem ficar imunes à violência verbal que muitas vezes se ouve nas bancadas", referiu o presidente da APAF.

Entretanto, em comunicado elaborado sobre o tema da violência no futebol, o Sindicato dos Jogadores, através de Joaquim Evangelista, disse estar "ciente de que existem múltiplos problemas estruturais a que é difícil dar resposta e que não depende apenas dos parceiros sociais a sua resolução".

À margem desta questão, Evangelista revelou que têm diminuído as situações de incumprimento salarial nos clubes que integram os campeonatos profissionais. "É um problema residual", constatou.