A corrida de ciclismo em que o vencedor ganhou com um país de avanço

Sem portugueses, James Hayden, um estudante de engenharia civil, concluiu a prova em primeiro lugar pela segunda vez. Quando chegou à meta. no Norte da Grécia, o segundo classificado estava a entrar na Albânia

Bruno Pires
James Hayden, o engenheiro civil com queda para o ciclismo em versão dura

Está a terminar, para alguns, a sexta edição da Transcontinental Race, a mais longa e exigente corrida de ciclismo.. Dizemos para alguns, porque o vencedor já chegou à meta. Trata-se do inglês James Hayden, um estudante de engenharia civil em Londres que conseguiu triunfar com uma margem incrível, do tamanho da Albânia.

Estamos a falar da corrida de ciclismo mais exigente que se conhece com 4023 quilómetros. Uma competição que faz parecer o Tour uma brincadeira de crianças, pois não há equipas, mecânicos, massagistas, alimentação em hóteis, nem despesas pagas nos melhores hoteis das cidades que acolhem os finais de cada etapa.


A aventura iniciou-se para os 250 concorrentes, sem qualquer português na linha de partida, a 29 de julho na região da Flandres na Bélgica, tendo passado pelos alpes suíços e austríacos e ainda pela Polónia, pela Hungria e pela Albânia tendo finalizado no norte da Grécia. E termina na quarta-feira, para os que chegarem até lá. O percurso por si só diz pouco, mas as estradas escolhidas são as mais acidentadas para perturbar e levar ao extremo o sacrifício dos ciclistas.

O vencedor, James Hayden, 27 anos, repetiu o triunfo de 2017 mas em 2015 foi obrigado a desistir, com fortes dores no pescoço que não o deixavam ter força para segurar a cabeça, e em 2016 acabou na quarta posição.

Quando cortou a meta o seu principal opositor, Björn Lenhard, encontrava-se 200 milhas atrás, 321 quilómetros, acabadinho de entrar em solo albanês. "James pode ter vencido com um país de diferença mas os últimos 700 quilómetros foram muito complicados para James", pode ler-se no site da Transcontinental Race.

Neste tipo de corridas dão-se situações explicativas dos problemas que os corredores precisam de ultrapassar. Um deles teve de arranjar sozinho a sua bicicleta, quando acabou fez-se à estrada mas na direção errada. Quando percebeu estava no sítio onde tudo começou. Outro relatou que precisou de parar para descansar pois sentia que estava a ser perseguido por girafas.

Na bicicleta cada um dos 250 concorrentes têm que levar mantimentos como comida, sacos cama e ferramentas. Mas também podem parar e ir a uma pastelaria ou a um restaurante. Ou então dormir na cama confortável de um hotel como fez James Hayden, o vencedor...