A revolta dos jogadores na Liga espanhola: "Futebol não é só negócio"

Ideia de La Liga de fazer um jogo por época nos Estados Unidos motivou um toque a reunir dos capitães de equipa, que prometem luta.

O anúncio de Javier Tebas, presidente da Liga, surgiu de forma inesperada na semana passada, em véspera do arranque do campeonato. Um jogo por época em território norte-americano, já a partir desta temporada, revelou de forma triunfal o dirigente, como um passo mais na expansão da Liga espanhola para outros mercados comercialmente atrativos.

O problema? A Liga esqueceu-se de ouvir os principais atores do negócio: os jogadores. E estes fizeram questão de demonstrar o descontentamento, ameaçando partir para a luta numa reunião que juntou capitães de 14 das 20 equipas de La Liga, na quarta-feira.

Uma ação que pôe em xeque os planos de Javier Tebas e reclama o protagonismo que é devido aos futebolistas, que rejeitam servir como meros figurantes à disposição dos homens de negócio do futebol espanhol.

No final da reunião dos jogadores, David Aganzo, presidente da Associação de Futebolistas Espanhóis (AFE), avisou que os futebolistas estavam dispostos a ir "até às últimas consequências", acenando mesmo com o cenário de uma greve.

"A rebelião dos capitães", chamou-lhe o diário espanhol Marca, o desportivo de maior tiragem, na sua primeira página desta quinta-feira, com amplo destaque para o tema.

O mesmo jornal escreve nestaquinta-feira que os jogadores ficaram surpreendidos quando ouviram o líder sindical falar em greve na conferência de imprensa após a reunião, já que o tema não terá sido alvo de uma discussão séria nem tão-pouco votado durante o encontro.

Mas frisa que os futebolistas foram unânimes na contestação à decisão unilateral anunciada pelo presidente da Liga, Javier Tebas, e consideram que esta atenta contra os direitos dos jogadores.

Para setembro está prevista uma reunião entre a AFE e LaLiga, na qual os futebolistas pretendem demonstrar indignação perante uma medida que não contou com a opinião dos principais atores do negócio, os jogadores.

Os futebolistas estão também desagradados com a postura dos clubes, que nunca lhes deram conhecimento do plano cozinhado pela Liga.

"Está na altura de dizer basta"

A decisão de transferir um jogo do campeonato para os EUA já a partir desta época foi anunciada por Tebas na semana passada, como parte de um acordo firmado entre a Liga espanhola e a empresa multinacional de entretenimento Relevent para a promoção do futebol na América do Norte durante os próximos 15 anos.

"Os futebolistas estão indignados", disse o presidente da AFE, David Aganzo, no final da reunião mantida com os jogadores de várias equipas de La Liga, recusando que a posição dos futebolistas se deva à exigência de contrapartidas financeiras. "Os futebolistas não estão à venda. Estamos a pensar nos adeptos, na saúde dos jogadores e vários outros aspetos", garantiu. "É uma falta de respeito por parte de La Liga não consultar os jogadores em decisões importantes que lhes dizem respeito. Não podemos permitir decisões unilaterais neste assunto."

"Está na altura de dizer basta", afirmou o líder da AFE, que quer reunir-se com o presidente da Liga no próximo mês e fazer-lhe ver que "o futebol não é só dinheiro e negócio". Esperando que o conflito não chegue a "um extremo", David Aganzo anunciou no entanto que os futebolistas "estão prontos para tudo". Falta perceber se esse "tudo" poderá então passar por uma greve.

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