A fé que move o selecionador da Croácia

Zlatko Dalic é profundamente religioso - anda sempre com um rosário no bolso e reza antes dos jogos. Domingo, frente à França, pode fazer história e tornar a Croácia campeã do Mundo

A Croácia está na final do Mundial da Rússia (discute no domingo o título diante da França) e um dos obreiros desta proeza é o selecionador Zltako Dalic, que depois de uma carreira sem grande sucesso como jogador, e experiências no banco em países como a Albânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, pegou na seleção do seu país o ano passado com o sucesso que agora está à vista de todos.

Mas a caminhada da Croácia até ao Mundial 2018 não foi nada fácil, já que a equipa foi obrigada a disputar o play off de acesso, pois ficou em segundo lugar no grupo de qualificação, atrás da Islândia. Mas aí superou a Grécia e carimbou o passaporte para a Rússia.

Segundo o próprio treinador contou em dezembro ao site croata Glas Koncila, a sua fé foi determinante para alcançar este grande objetivo, longe ainda de imaginar que iria conseguir apurar a seleção para a final do torneio. "A fé dá-me força. Ando sempre com um rosário no bolso e rezo antes dos jogos. Dou graças a Deus todos os dias, por me ter dado força e fé, mas também pela oportunidade de me ter dado algo de bom na vida. Para mim e toda a minha família a fé é extremamente importante", referiu numa entrevista em dezembro passado.

Esta fé vem desde a infância. "Ao lado da casa dos meus pais, em Gorica, havia um mosteiro franciscano. Ia à missa regularmente e a minha mãe ensinou-me o caminho da fé. Hoje sou crente a tempo inteiro e foi assim que criei os meus filhos. Todos os domingos tento ir à missa", acrescentou.

Dalic, que nasceu em outubro de 1966 na cidade de Livno, que na altura pertencia à Jugoslávia e que atualmente faz parte da Bósnia Herzegovina, tem também como suporte a família e o sonho de um dia ver a Croácia e a Bósnia Herzegovina unidas, não como nação, mas como um povo. "Somos demasiado pequenos para nos dividirmos e discutirmos tanto. Precisamos de trabalhar em conjunto pela paz. Não para repetir o cenário de guerra, mas para nos ajudar-nos uns aos outros."

No domingo, Zlatko Dalic e os jogadores croatas disputam o jogo da suas vidas com o objetivo de fazer história, já que a Croácia nunca venceu um grande torneio de futebol. Em 1998 chegou a sonhar, mas caiu nas meias-finais, eliminada pela França, precisamente o adversário do próximo domingo. "No futebol não há vinganças. Vamos jogar com coração caráter e orgulho. Somos de um país onde as pessoas nunca se dão por vencidas", referiu no final do jogo de quarta-feira, depois de eliminar a Inglaterra.

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