43 minutos de silêncio: a homenagem dos adeptos do Génova às vítimas da ponte

Iniciativa incluiu um minuto por cada uma das vítimas

O jogo entre o Génova e o Empoli do último domingo ficou marcado por uma homenagem dos adeptos genoveses às 43 vítimas da queda da ponte Morandi do passado dia 14 de agosto. Depois de um minuto de silêncio que antecedeu a partida, seguiram-se mais 43 minutos com toda a gente calada, um por cada uma das vítimas.

A iniciativa foi respeitada por todo o estádio Luigi Ferraris, com o locutor a anunciar as formações em voz baixa, enquanto o capitão do Génova, Mimmo Criscito, que passou na ponte minutos antes do colapso, deu a mão a Caesar, filho de Andrea Cerulli, umadepto do clube que morreu na tragédia. Os jogadores genoveses entraram em campo com um equipamento especial, sem patrocínio.

Durante o encontro, que terminou com a vitória do Génova frente ao Empoli por 2-1, os adeptos seguraram cartazes com inscrições alusivas à tragédia.

Aos 43 minutos os adeptos do Génova entoaram em coro "Génova, Génova", enquanto aplaudiam os nomes das vítimas divulgados nos ecrãs do estádio.

A homenagem não afetou o normal decorrer do jogo. Aos seis minutos, o jogador polaco Krzysztof Piątek fez o 1-0 para o Génova. Aos 18 minutos Christian Kouamé marcou o 2-0 para os genoveses. Na segunda parte o Empoli mostrou-se mais agressivo e, apesar dos esforços do Génova, nada impediu o golo de Samuel Mráz, já em período de descontos.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Alemanha

Lar de Dresden combate demência ao estilo Adeus, Lenin!

Uma moto, numa sala de cinema, num lar de idosos, ajudou a projetar memórias esquecidas. O AlexA, na cidade de Dresden, no leste da Alemanha, tem duas salas dedicadas às recordações da RDA. Dos móveis aos produtos de supermercado, tudo recuperado de uma Alemanha que deixou de existir com a queda do Muro de Berlim. Uma viagem no tempo para ajudar os pacientes com demências.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.