Miguel Oliveira alcança melhor classificação de sempre no MotoGP

O piloto português da KTM terminou o Grande Prémio da Áustria na oitava posição.

Miguel Oliveira (KTM) terminou este domingo no oitavo lugar o Grande Prémio da Áustria de MotoGP, naquela que é a primeira presença do português no top10 na principal categoria do campeonato do mundo de motociclismo de velocidade.

Na prova em que teve pela primeira vez à disposição uma mota completamente igual às da equipa de fábrica, o almadense recuperou cinco posições na 11.ª corrida da temporada, terminando a 16,206 segundos do vencedor, o italiano Andrea Dovizioso (Ducati).

O duas vezes vice-campeão do mundo 'animou' a corrida em Spielberg, ao disputar o triunfo com o espanhol Marc Márquez (Honda), cinco vezes campeão do mundo e líder do Mundial, que terminou no segundo posto, a 0,213 do italiano.

Já Miguel Oliveira, com a primeira presença no 'top10', subiu três lugares para o 15.º posto do Mundial, com 26 pontos, sendo o segundo melhor dos quatro pilotos inscritos com motas KTM.

Miguel Oliveira partiu da 13.ª posição e ainda perdeu dois lugares no arranque. No entanto, no final da segunda volta já era 11.º, perdendo duas posições pouco depois, naquela que era o início de uma intensa luta de um grupo que incluía o oficial Ducati, o italiano Danilo Petrucci, que este ano venceu o GP de Itália.

À terceira volta, Oliveira já tinha conquistado mais uma posição, ultrapassando Danilo Petrucci, numa altura em que as quedas do britânico Cal Crutchlow (Honda) e a avaria do espanhol Pol Espargaró (KTM) já tinham oferecido mais dois lugares ao português, que perseguia ainda o japonês Takaaki Nakagami (Honda).

Entretanto, a queda do australiano Jack Miller (Ducati) e a ultrapassagem ao japonês colocaram o piloto luso na oitava posição, sempre perseguido por Petrucci e pelo italo-brasileiro Franco Morbidelli (Yamaha).

Mas Miguel Oliveira não só se conseguiu afastar dos seus perseguidores como recuperou bastante terreno ao campeão de Moto2, o italiano Francesco Bagnaia (Ducati), terminando a uma décima de segundo daquele que foi o seu grande rival na luta pelo título na classe intermédia em 2018.

"Foi uma grande corrida. No arranque tivemos alguns problemas que não me permitiram ser tão rápido quanto gostaria. Mas o resto da corrida foi bastante divertida, com muitas ultrapassagens. O meu ritmo foi muito bom, tal como já tínhamos verificado no sábado. Estou muito contente e julgo que merecemos este resultado, depois de termos trabalhado muito, tentando perceber a mota, e em que todos me ajudaram. Por isso, foi uma boa recompensa para a KTM, aqui em casa, terminando nos 10 primeiros e sendo o melhor piloto da marca, o que é muito positivo para nós", referiu o piloto luso.

Miguel Oliveira acabou felicitado pelos principais responsáveis da marca, presentes na prova que se disputou no Red Bull Ring, em Spielberg, já que foi o melhor dos pilotos KTM, apesar de representar a equipa privada Tech3. "Foi uma corrida fantástica para o Miguel, que demonstrou o mesmo ritmo de pilotos como [do italiano Valentino] Rossi, [do espanhol Maverick] Viñales e outros. Falta um passo extra para termos o ritmo da frente", disse o francês Hervé Poncharal, dono da equipa Tech3, em declarações à SportTV. "O arranque não foi fantástico mas mostrou determinação. Portugal está de parabéns", concluiu.

A corrida austríaca acabou por proporcionar grandes duelos em pista, que terminaram com a ultrapassagem de Dovizioso a Márquez na última curva, dando a quarta vitória consecutiva à marca italiana no circuito austríaco. "Fiz uma loucura e às vezes funciona", reconheceu Dovizioso.

Com este resultado, o piloto português ascendeu à 15.ª posição do campeonato, com 26 pontos, contra os 230 do líder Márquez, e é o segundo melhor da KTM, estando a apenas sete do 14.º, o espanhol Aleix Espargaró (Aprilia).

No campeonato de equipas, lidera a Ducati, com 308 pontos. A Tech3 do português é 10.ª, quinta entre as independentes. No Mundial de construtores lidera a Honda, com 236 pontos.

A KTM, entretanto, anunciou neste domingo que vai deixar de competir como marca oficial no Mundial de motociclismo de velocidade de Moto2, para se concentrar em MotoGP. Apesar da saída da KTM como construtor oficial, a marca austríaca vai continuar a equipar a equipa privada finlandesa Ajo Motorsports, ao serviço da qual o português Miguel Oliveira foi vice-campeão de Moto2, em 2018. Em contrapartida, a KTM vai apostar no campeonato de MotoGP, aumentado para sete os cinco anos previstos, depois da estreia na categoria rainha em 2017.

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