"Haja sempre memória, afeto e gratidão", pediu Simões no Parlamento

Homenagem aos campeões europeus de 1961 e 1962 juntou na Assembleia da República Luís Filipe Vieira e António Simões, cujas relações "esfriadas" têm estado em foco nos últimos tempos

Por proposta da Associação de Benfiquistas no Parlamento a Assembleia da República (AR) homenageou esta quinta-feira as equipas do Benfica campeãs europeias nas épocas de 1960-61 e 1961-62, numa cerimónia que teve a particularidade de juntar na mesma sala o presidente Luís Filipe Vieira e a antiga glória encarnada António Simões, que têm assumido publicamente um afastamento na relação entre ambos.

E o antigo extremo-esquerdo encarnado, que serviu de porta-voz dos jogadores homenageados, aproveitou o discurso para voltar a apelar ao respeito e gratidão em relação à sua geração de jogadores, recuperando uma expressão que foi criticada por Luís Filipe Vieira numa entrevista concedida à TVI.

"Aqui nesta sala está a geração mais ganhadora da vida centenária do Benfica. Há pouco tempo, quando afirmei que 'eu sou o Benfica', houve quem interpretasse isso como um acesso de egocentrismo ou um impulso de vaidade. Mas reafirmo. Vocês [dirigindo-se aos restantes cinco homenageados presentes] não são apenas do Benfica. Vocês são o Benfica. É assim que sempre, sem reservas, classificarei aqueles que com uma inigualável folha de serviços contribuíram para elevar o estatuto do Benfica", frisou, de frente para os colegas e com o presidente encarnado nas suas costas, na mesa da cerimónia.

António Simões também elogiou a obra feita pelo clube nos tempos recentes, "o traço de modernidade, o Seixal, os títulos e honrarias", mas deixou um pedido, em jeito de recado, a finalizar o discurso. "Em meu nome pessoal e em nome dos meus companheiros, faço apenas um pedido: que haja sempre memória, afeto e gratidão."

Luís Filipe Vieira discursou logo a seguir ao antigo internacional e disse que "no Benfica não há futuro sem memória", apontando os feitos conseguidos pelos jogadores homenageados nesta quinta-feira como uma motivação para o clube projetar "mais conquistas".

"Há quase duas décadas iniciámos um processo de valorização da nossa história, do nosso património, das nossas conquistas e também de quem as conquistou. Os jogadores que aqui estão representam 82 titulos nacionais e europeus. São justos homenageados desta noite. mas é justo lembrar também os outros que já não podem estar presentes", afirmou Vieira, lembrando Eusébio como "o símbolo maior de todos nós".

Recorde-se que, na entrevista concedida à TVI, Vieira criticara António Simões por, no entender do presidente encarnado, se querer apoderar do estatuto de maior símbolo vivo do Benfica. "Eusébio só há um e não admito a ninguém que diga 'eu sou o Benfica'. Que ninguém queira imitar o Eusébio", disse então Luís Filipe Vieira.

O presidente do Benfica destacou também, na AR, o ciclo de vitórias do clube encarnado nos últimos anos e salientou a importância de manter os treinadores durante períodos longos para assegurar a estabilidade - isto numa altura em que Rui Vitória tem estado sob contestação entre o universo de adeptos benfiquistas. "Na última década invertemos o ciclo de vitórias existente no futebol português, conquistando 17 títulos, mais do que qualquer outro clube. Para isso, muito contribuiu a estabilidade que imprimimos a este projeto, bem exemplificado pelo facto de o Benfica, nesse período, apenas ter tido dois treinadores", afirmou Vieira.

Seis campeões presentes

Estiveram presentes na homenagem, levada a cabo na sala António Almeida Santos, seis jogadores dessas épocas de glória europeia do Benfica: António Simões, José Augusto, Ângelo Martins, Artur Santos, Mário João e Fernando Cruz.

A cerimónia foi presidida pelo vice-presidente da AR, Jorge Lacão, que realçou o valor do "desporto como um ideal" e sublinhou a importância de a "competitividade e rivalidade entre clubes poder ser desenvolvida num ambiente de sã convivência entre rivais".

Maria Antónia Almeida Santos, filha do antigo presidente da AR que dá nome à sala onde decorreu a homenagem, também discursou e agradeceu aos jogadores presentes os feitos que "engrandeceram o nome de Portugal" na década de 1960.

A Associação de Benfiquistas no Parlamento é presidida por António Lourenço, conselheiro do parlamento para assuntos económicos, que salientou "o legado extraordinário" deixado por aquela geração de jogadores que conseguiu as duas taças de campeões europeus. "Quem não saber honrar a sua história não tem futuro", referiu, deixando uma mensagem final: "O futuro do Benfica depende de um contrato sério e transparente com os sócios quanto à vida do clube".

Os jogadores foram presenteados com um diploma. A seguir à cerimónia segue-se um jantar-convívio na Assembleia da República.

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